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Maquiagem e esmalte na infância? Polêmica divide pais e especialistas

No imaginário infantil, as cores têm um significado importante. Colorir é abrir espaço para a criatividade e a imaginação. Ultimamente, porém, tem crescido o número de crianças interessadas em outro tipo de pintura: a maquiagem. Entre diferentes opiniões de especialistas, fica para os pais a grande questão: as crianças podem ou não usar maquiagem e esmalte?

Reprodução/InternetReprodução/Internet

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é um dos maiores mercados mundiais de cosméticos infantis. De olho na segurança dos pequenos, o órgão criou uma cartilha para definir regras sobre os produtos destinados a eles.

O documento diz que criança deve usar produtos específicos para a faixa etária, que são elaborados de acordo com as características da pele dela. Para a maquiagem, a Anvisa define como quesitos essenciais baixo poder de fixação, fácil remoção dos produtos com água, além de testes em diferentes tonalidades do produto para avaliar o potencial de irritação, sensibilização e toxicidade oral. Ainda é permitido, nesses itens, o uso de substâncias que tenham o gosto ruim, para evitar que as crianças levem à boca.

Para os esmaltes, ficou definido que os permitidos são aqueles à base de água, que podem ser removidos sem uso de acetona. A Anvisa ainda alerta que maquiagens para boneca e as comercializadas como brinquedos não podem ser aplicadas nos pequenos, pois não são formuladas com ingredientes próprios para a pele infantil nem propiciam a segurança necessária.

Vaidosa, Rebeca Borges, 7 anos, gosta de se cuidar: creme, perfume, sombra, blush e gloss — a combinação perfeita para ficar mais bonita. A mãe, Sandra Borges, 44, explica que ela começou a usar brilho labial aos 5 anos, mas os outros produtos só foram adotados este ano.

Na hora de se embelezar, os produtos prediletos são as maquiagens. “Para ela, usar esses produtos significa ser igual à mim e à irmã mais velha, parecer conosco”, diz a mãe. Sandra conta que Rebeca quase não usa esmaltes, mas que, quando ocorre, sempre opta por cores claras. A mãe diz que busca produtos específicos para crianças e que Rebeca já sabe: maquiagem só em dias especiais.

Para Sandra, é importante estar atento às influências que as crianças recebem para que não haja uma “adultização” e para que o ato de se maquiar não seja visto como uma cobrança estética, mas, sim, como uma forma de se sentir bem e de enaltecer a beleza que já existe.

“Devemos incentivá-las a viver bem cada etapa da vida. Não há mal algum em usar uma sombra clarinha, um brilho labial, desde que de forma dosada e equilibrada. Tento sempre ensiná-la que ela é linda, é criança e não tem a obrigação de usar maquiagem para ficar bonita. Que tudo tem seu tempo e o dela é de brincar e ser feliz, sem se preocupar se passou gloss ou não”, afirma.

Influências

A biomédica Melissa Brum, 27, está sempre atenta à filha Vitória, 7, que ama se arrumar. A mãe conta que os produtos prediletos da pequena são o batom e o esmalte, mas que, em ocasiões especiais, como em apresentações da escola, ela usa blush e rímel, mas lembra que os cuidados com a pele da criança são indispensáveis.“Como ela só usa o batom no dia a dia, ele acaba saindo naturalmente. Mas, quando é uma apresentação de escola, procuro tirar devidamente”, diz.

Para Melissa, é importante ficar de olho no que o ato de se pintar significa para as crianças. Ela conta que, no aniversário de Vitória, montou um salão de beleza com kits de maquiagem para as amigas. Nesse caso, as meninas se divertiram muito brincando. Melissa adverte, porém, que, se a preocupação estética se tornar o foco, o uso deve ser repensado.

“Vejo que tem crianças que usam e se preocupam muito em estar de maquiagem. Ter isso como hábito e acreditar que só está bonita se estiver maquiada podem ser ideias prejudiciais à criança. Além disso, se você não impuser limites, isso pode trazer problemas para a autoestima”, acredita.

O que dizem os especialistas?

Não há consenso sobre a idade mínima para o uso dos cosméticos, mas o médico alergista Hermínio de Paula lembra que a pele da criança tem uma estrutura diferente, por isso todo cuidado deve ser redobrado. “A pele é mais sensível, a espessura é menor e diversos mecanismos de defesa ainda não estão amadurecidos durante a infância, favorecendo irritações e infecções”, justifica.

Hermínio ainda explica que o uso de maquiagem e esmalte não é recomendado para crianças e que os principais perigos são a exposição aos diversos agentes potencialmente tóxicos — metais, como o níquel, e conservantes, como o parabeno, que podem ser inalados ou ingeridos.

Além disso, ele lembra que o contato desses compostos com a pele pode causar irritação e doenças como dermatite ou urticária de contato, que levam a dor e desconforto e podem causar lesões tanto superficiais quanto profundas, com possibilidade de cicatrizes.

A dermatologista Thaís Bittencourt explica que, do ponto de vista dermatológico, o ideal é evitar o uso de qualquer tipo de produto. Essa é uma forma de diminuir a chance de a criança ficar exposta a uma dermatite de contato ou a uma alteração do eixo endócrino metabólico. Para ela, a maquiagem deveria ser permitida após a puberdade e, ainda assim, com muito cuidado. “Se for aplicada em crianças abaixo dos 12 anos, é muito importante que tenha atenção ao selo da Anvisa, porque ela regulamenta e determina os produtos permitidos. E, mesmo assim, não ser um uso rotineiro, tem que ser esporádico e lúdico, em tom de brincadeira.”

Depois da brincadeira, Thaís explica que é indispensável higienizar a pele com sabonetes adequados, que não produzam tanta espuma e que sejam específicos para a pele sensível.

 

Com Portal Uai




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