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Levantamento revela que ficou muito mais caro educar uma criança do que um jovem profissional no Brasil

Ficou muito mais caro educar uma criança do que um jovem profissional no Brasil. Em dez anos, o custo da educação infantil subiu o dobro do que se gasta com pós-gradução. Entre fevereiro de 2009 e fevereiro de 2019, a educação infantil ficou 149% mais cara, enquanto a pós-gradução subiu 71% em média.

Foto: Pexels/ Foto: Pexels/

É o que mostra um levantamento com base nos dados oficiais de inflação (IPCA) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos últimos dez anos, as mensalidades médias da educação particular, considerando todos os níveis, mais que dobraram, com uma alta acumulada de 112,47%, bastante acima da inflação no mesmo período, que foi de 76,05%.

Custo da educação infantil dispara

Os maiores aumentos, porém, estão concentrados no ensino básico, no qual se destaca o ensino infantil. Veja o gráfico abaixo.

Os maiores aumentos ficaram no ensino infantil, que concentra a pré-escola: as mensalidades começaram 2019, em média, 7,8% mais caras que em 2018, e, em uma década (desde 2009), já acumularam aumento de 149,27%. É como se uma mensalidade que, no ano letivo de 2009, custasse R$ 1.000, estivesse começando 2019 a R$ 2.493.

Na outra ponta, as pós-graduações tiveram reajuste de apenas 5,5% neste ano, e, em uma década, o acumulado é de 70,69%. É menos da metade do que o custo na pré-escola e abaixo, inclusive, dos 76% da inflação geral medida pelo IPCA nos mesmos anos. Isso significa que uma faculdade que também cobrasse R$ 1.000 pelo curso em 2009, hoje, cobraria R$ 1.707.

Resistência em abandonar a escola

Um fato apontado por especialistas para explicar a diferença está no vínculo maior que pais e filhos têm com a escola, enquanto, na faculdade, é mais fácil e mais comum que as pessoas mudem de instituição, de curso, ou simplesmente adiem ou abandonem o diploma.

"A escola não é como outros serviços, que, se ficam caros, a pessoa troca ou deixa de usar. A mudança é mais complexa, e isso acaba dando um poder de barganha maior para que as instituições repassem seus aumentos", disse o economista André Braz, um dos coordenadores dos índices de inflação da FGV (Fundação Getulio Vargas).

"A educação infantil é a que mais cresce e a que mais tem alunos", disse Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo). "Antes, as famílias colocavam o filho na escolinha para brincar, enquanto, hoje, cresce o entendimento de que é um período essencial na formação da criança."

Segundo Silva, o estado de São Paulo tem cerca de 2,7 milhões de alunos em colégios particulares, sendo que 800 mil deles, cerca de 30%, estão nas creches ou pré-escolas. Ensino fundamental, médio e de adultos dividem o restante.

Mudança no ensino superior é mais frequente

No ensino superior, por sua vez, a mobilidade é maior, o que vai reduzindo a facilidade das instituições de segurarem seus alunos e, portanto, de repassarem aumentos muito altos para eles.

"No ensino superior, os alunos muitas vezes já pagam os próprios estudos, trabalham e já se deslocam mais para ir até a faculdade, e o apego é menor", disse Braz, da FGV.

Com UOL




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