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Feminicídio: o fato de ser mulher incomoda

O feminicídio é considerado crime por lei desde 2015. Mas afinal, o que é o feminicídio? De acordo com o Código Penal, o termo significa “crime de homicídio contra a mulher, pelo menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou por razões de violência doméstica”. De acordo com a Psicóloga setelagoana, estudante de questões de gênero, Feminista e Militante LGBT, Anna Cecília Amorim, o feminicídio é decorrente do machismo, ele é a “violência do patriarcado” que coloca a mulher como objeto nas mãos do homem e tão pertencente a ele que o mesmo se sente no direito de acabar com a vida dela, ou seja, quando o mesmo acontece, provavelmente outros tipos de violência já ocorreram.

Foto: omunicipioblumenau.com.brFoto: omunicipioblumenau.com.br

Com base nos dados do G1, doze mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Ainda de acordo com o levantamento, foram 4.473 homicídios contra mulheres em 2017, 6,5% a mais que em 2016. Do total, 946 casos de feminicídio.

Um mito muito comum é de que a violência contra a mulher acontece fora de casa. Mas, segundo Anna Cecília, o que acontece é o contrário e há estatísticas que comprovam que a maior porcentagem dos homens que cometem o feminicídio possui algum laço de parentesco com a vítima, alguma relação afetiva. E cerca de 30% destes são ex-companheiros das vítimas.

Em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), os casos de feminicídio aumentaram de um ano para o outro. Em 2015, foram 335 mulheres assassinadas. Já no ano seguinte, foram calculadas 397 mortes. Em cerca de dois anos, do primeiro semestre de 2015 ao primeiro de 2017, o número de mulheres assassinadas cresceu em 93 casos notificados.

De acordo com o Departamento de Homicídios da 19º Delegacia Civil de Sete Lagoas, o número de feminicídios na cidade mais que triplicou em dois anos. No primeiro semestre de 2015, apenas um caso havia sido notificado, já no final de 2016, eram 16 casos.

Quando se trata de violência contra mulher, traçar um perfil psicológico dos agressores é muito difícil, eles podem ser qualquer um. Estes crimes não são motivados somente por questões psicológicas, existe fator social por trás. Caracteriza estes homens como “monstros” e “portadores de transtornos mentais” é um mito, estes homens são pessoas normais, comuns, que são até queridas no seu ambiente social.

Em uma pesquisa realizada em 2014 para a Escola de Enfermagem Anna Nery, um perfil dos homens que cometem violência contra mulheres foi traçado e uma importante consideração deve se feita: a violência contra mulher “é praticada quase sempre por homens da família que exercem relações de poder sobre as vítimas e, ao serem protegidos pelos laços afetivos, podem levar ao extremo as relações de dominação, originadas na cultura patriarcal que ainda se perpetua”, algo já dito anteriormente.

Ainda de acordo com a pesquisa, o perfil dos agressores pode ser definido pela faixa etária adulta jovem, a maioria era casada ou vivia em união estável, eram alfabetizados, exerciam algum tipo de trabalho remunerado e não possuíam passagens policiais. As agressões em sua maioria foram caracterizadas como intrafamiliar.

O feminicídio e qualquer tipo de agressão contra a mulher é crime. Existem leis no Brasil que garantem o direito de todas essas mulheres que lutam pela igualdade de gênero na esperança de serem reconhecidas pelo que são, MULHERES.

Ligue nos números 180 ou (31) 3697-2550 e denuncie qualquer tipo de agressão.

Bárbara Teixeira




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