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Com exemplo de legado social fruto da sua fé, Helena Branco é a homenageada do V Festival de Inverno de Sete Lagoas

Helena Branco é a homenageada deste ano do V Festival de Inverno de Sete Lagoas - Arte para incluir, arte para unir. A Exposição Helena: O que é fé sem obras? acontece de 13 a 30 de julho, de 8h às 18h, na Galeria Myralda, Casa da Cultura. Essa exposição é uma homenagem que o município presta a Helena Bartholomeu Rodrigues Branco, uma de suas grandes beneméritas, de cujo legado social a cidade e a região se beneficiam até os dias de hoje, através da sua obra maior, que é fruto da sua fé: SERPAF - Serviço de Promoção ao Menor e à Família, uma experiência que deu certo. A curadoria apresenta uma cartografia socioeconômica, reunindo setores de atuação do SERPAF e tendo por base os resultados de observações diretas, com exposição de fotos e de trabalhos realizados pela entidade. A abertura da exposição acontecerá na próxima sexta-feira, 13 de julho às 19h na Galeria Myralda com participação especial: SERPAF e banda do CEUs das Artes do Jardim dos Pequis e às 20h30 Fabrino Campelo com Notas Percussivas.

Foto: Arquivo Pessoal

Confira AQUI a programação COMPLETA do V Festival de Inverno de Sete Lagoas.

Veja um pouco da história e trajetória de Helena que é tão admirável e será retratada:

STAND 1: HELENA ILUMINADA

Em 1910 nasce uma menina diferente na família de 7 irmãos. Antônio e Leonilda muito se alegraram com a chegada da pequena Helena. Desde pequena, sempre muito vaidosa, espalhafatosa e sensível. Contam que “via coisas e luzes”, junto de outros dois irmãos... O fato é que Helena já era, sim, iluminada desde criança.

Casou- se com Jayme Branco, um rapaz bonito que apareceu pelas bandas de Teixeiras, onde ela vivia com sua família.
Ela com 17 e ele já com 30, ali começaram a vida. Mas, veio a quebra da Bolsa de NY e Jayme faliu. Neste triste episódio, Sete Lagoas ganhou um casal que a adotaria como cidade do coração. Vieram para cá e tiveram outros filhos, foram 7: José Jaime, Maria Helena, Selma, Paulo, Wilson, Maria das Graças e Valéria.

E foi ali de frente ao hospital Nossa Senhora das Graças que Jayme e Helena vieram morar. Construíram a fábrica de farinha e foram progredindo – de forma sempre honesta e empática.

STAND 2: HELENA INQUIETA

Helena sempre foi uma mulher inteligente, impaciente, ativa. Trabalhou com o marido na fábrica de farinha, mas algo a incomodava e havia uma inquietude na alma. Foi dessa inquietude que nasceu no coração de Helena a vontade de fazer algo pelo próximo. Sempre muito religiosa, para ela, era preciso agir conforme a Palavra de Deus. Assim, na mais pura tradução de São Tiago 2, 26 – “ assim como o corpo sem alma é morto, assim também a fé sem obras é morta”. Helena se encoraja e levanta para ir à luta pelos menos favorecidos. E como foi a luta! Se tornou a incansável Dona Helena, já aos 53 anos, num belíssimo exemplo de proatividade pessoal e social. 

Não é possível deixar de incluir aqui, a história de outra mulher. Negra, pobre, analfabeta: Regina de Souza. Quis Deus que Nina, como carinhosamente, passou a ser chamada, entrasse para a vida de Helena e Jayme. Foi Nina o suporte que Helena teve para que pudesse, tantas vezes, deixar casa, filhos e marido para ir atrás de seu sonho.

Teve ainda todo o respaldo do seu marido, o calmo e paciente Jayme. Homem de enorme coração, solidário, pacífico e empreendedor. Quantas pessoas, no silêncio de suas ações, ele ajudou a erguer!

Neste período, foram Helena e Jayme que trouxeram para Sete Lagoas a LBA ( Legião Brasileira de Assistência – berço da Assistência Social no país ), a Escola Sinhá Andrade e a APAE (antigo Instituto Pestalozzi). Foi da casa deles que a energia elétrica para o Hospital Nossa Senhora das Graças vinha, por tempos.

STAND 3: HELENA EMPREENDEDORA

Foi em 21 de outubro de 1968 que Helena concretiza seu maior sonho, além da família: o SERPAF. Está criado o Serviço Promocional de Assistência a Família, com ações focadas na infância, adolescência, juventude, famílias, comunidades. Aquela mulher inteligente, iluminada, corajosa, empática, cuja fé é inabalável, mostra agora uma nova virtude: quão visionária se construiu! Para situações que ela conseguiu enxergar, desde aquela época, ela criou estratégias riquíssimas. 

Dizia insistentemente que “Não adianta tratarmos do problema do menor, se não trabalharmos sua família como um todo”. E assim, focou todo o trabalho do SERPAF durante sua vida. Com uma garra incrível, desbravou territórios desconhecidos, juntou forças para ir atrás de recursos e apoio. Ai de quem cruzasse seu caminho. Lá vinha ela, com sua elegância e persuasão, convencer - de A a Z - que crianças, adolescentes e famílias pobres não poderiam continuar vivendo a margem da sociedade.

Neste período, suas filhas Selma e Maria das Graças trabalharam junto a ela no SERPAF. Helena luta e consegue parcerias fortes, como a da Kindernothilfe da Alemanha.

Mas, chegou 1997 e o Pai do Céu buscou esta mulher, porto seguro para tantos. No entanto, sua luz, sua força e seu amor, permaneceram fortes no coração daqueles que se propuseram a dar prosseguimento a sua obra.

STAND 4: O IDEAL DE HELENA PROSSEGUE

Em meados de 2002, o SERPAF seguia. Porém, muito daquilo que era a filosofia de Helena havia se perdido no tempo. Era preciso retomar. Então, em 2003 seu projeto dá uma guinada no sentido de se reescrever conforme aquilo que brilhava no coração de Helena quando da sua fundação: o trabalho com famílias e sua inserção positiva nas comunidades.

Foi com muita coragem – que só pode ter vindo das “cutucadinhas que ela deve ter dado na gente” – que o SERPAF sai do centro da cidade e vai para a região do bairro Nova Cidade e adjacências, local de concentração de pobreza e baixo capital social. E uma atmosfera de alegria começa a rondar todo o trabalho. Foram muitos os desafios e obstáculos, mas eram maiores as alegrias de cada conquista.

Neste período, entra para sempre na vida do SERPAF, como uma segunda família, a comunidade Werden de Essen na Alemanha. Desde a década de 90 já haviam se encantado com a luz de Helena e neste período esta parceria se fortalece. Soma- se aqui o apoio e a força da Kindernothilfe, também alemã. Foi graças a solidariedade destes grupos que o sonho de Helena pode seguir adiante e se estruturar como trabalho periférico forte e eficaz. Desde 2002, o SERPAF passou a atuar também na região do Verde Vale e Barreiro.

STAND 5 – EXPANSÃO REGIONAL, PRESENTEANDO O ENTORNO

Em 2009, o projeto de Helena ganha novos parceiros. A Prefeitura de Sete Lagoas, através da Secretaria de Cultura, convida para elaboração de projeto para o Ministério da Cultura. Foram meses de estudo e dedicação para a criação do Ponto de Cultura Yporanga – projeto lindo, que abriu portas para que o trabalho, iniciado por esta mulher incrível, pudesse chegar a outras cidades do entorno. E aí, começa uma nova fase no SERPAF. Levar dignidade, esperança e novos olhares a tantas outras pessoas através da ARTE. Arte que chega para incluir e para unir.

Acreditando que a arte é capaz de transformar, recriar, incluir e unir, o SERPAF começa a levar um pouco da luz de Helena as cidades vizinhas: Jequitibá, Santana de Pirapama, Cordisburgo, Caetanópolis e Paraopeba. Em seguida, através do Fundo Estadual da Cultura e apoio imprescindível da Prefeitura de Sete Lagoas, surgiu o “No Sertão: Reunindo Histórias”, levando valorização e fortalecimento à arte e cultura dessas cidades.

São ações onde a arte é a ferramenta para resgate e valorização de potenciais pessoais, sociais e culturais de comunidades rurais e urbanas do entorno. A partir desta experiência incrível de unir o poder da arte na inclusão e empoderamento de pessoas e comunidades, o SERPAF representou o Brasil no Seminário “Por uma Cultura de Paz” na Alemanha em 2010. E novamente em 2016, levou a força da dança e expressões culturais como ferramentas de transformação social para aquele país. Nos dois momentos, a equipe SERPAF incluiu – impreterivelmente – representantes do poder público municipal, numa clara demonstração de que um sonho da sociedade só se concretiza em parceria com o poder público.

STAND 6: CAPILARIZAÇÃO – ONDE É PRECISO ESTAR?

Helena sempre teve como metas prioritárias a defesa dos direitos das crianças e adolescentes de forma integrada com suas famílias. Mas, sempre defendeu que seu sonho só seria possível se houvesse uma articulação forte com o poder público.  E com muita alegria, em 2018, muito do que ela sempre acreditou e defendeu, vem se tornando mais palpável.

Através de editais de chamamento público, o SERPAF conseguiu estabelecer parcerias com as prefeituras de Sete Lagoas e Matozinhos. E hoje, o SERPAF é executor de programas propostos pelo Ministério de Desenvolvimento Social, por meio das prefeituras e respectivos CRAS (Centros de Referencia em Assistência Social).

Vale ressaltar que Sete Lagoas e Matozinhos se destacam no cenário nacional, quando são capazes de romper com uma estrutura engessada da máquina pública e inovam, estabelecendo o termo de parceria para execução dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e Acessuas Mundo do Trabalho.

O SERPAF se sente extremamente honrado em poder participar da construção de uma nova forma de executar políticas sociais e de escrever junto com estes corajosos e inovadores gestores municipais uma nova história na política social nacional. Porque para além das exigências legais, estão sendo criadas ferramentas e metodologias muito inspiradoras, nas quais, obviamente, nosso amor pela arte - que inclui e une - permeia.

STAND 7: OLHARES INSPIRADORES

Helena era escritora. Não se contentava em “apenas” agir, queria registrar e divulgar suas obras. Escreveu três livros: Formação do Menor através da Família – 1979 e O Grave Problema do Desvio do Menor – 1981 e Uma Experiência que Deu Certo – 1991.

Claro que o SERPAF segue seus passos e a tem em sua essência. Adolescentes do SERPAF escrevem, artisticamente, dois lindíssimos livros.

Nosso Mundo, em 2009, ilustra através de poesias e fotos analógicas e pin hole (artesanal através de latas de tinta) o mundo como o vêem e esperam.

Em 2012, é a vez de Olhos D´Água. Numa analogia entre água e alma, adolescentes percorrem caminhos de Sete Lagoas, Três Marias e Lapinha da Serra para nos presentear com imagens maravilhosas, acompanhadas de poesias reflexivas. É mais uma vez a arte, a arte que inclui e une.

Através do olhar sensível, solidário e amoroso do fotógrafo Léo Drummond, setelagoano sedento por ajudar e transformar vidas, surgiram estas obras de arte. Léo foi voluntário no SERPAF e liderou adolescentes para a construção de um novo olhar sobre o mundo e a vida.

Em 2017 mais uma publicação. Desta vez foi a Gabriela Vasconcelos, assistente social especializada em Intervenção Psicossocial da Família e mestranda em Estudos da Criança: intervenção psicossocial - que escreveu sobre a metodologia desenvolvida no SERPAF para o trabalho com famílias. A publicação 11 Passos para a Transformação, patrocinada pela KNH Brasil é a possibilidade de multiplicação de uma experiência bem sucedida junto a famílias acompanhadas pelo SERPAF e que pode ser replicada por diferentes espaços públicos ou privados relacionados a assistência social.

E 2018 traz Pela PAZ – distâncias que se integram e se transformam, projeto escrito a muitas mãos! Livro de fotos, ilustrações e reflexões acerca da paz sob perspectivas de adolescentes brasileiros, alemães e refugiados de diferentes nacionalidades. Todos, transpondo distâncias, se integram por um objetivo: mostrar artisticamente suas perspectivas de construção de uma cultura de paz.

Foto: Arquivo Pessoal

Da Redação Com Familiares de Helena Branco




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