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Presidente da Amagis se reuniu com juízes da Comarca de Sete Lagoas:

  • Categoria: Cidades
O juiz Nelson Missias de Morais, Presidente da Associação dos Magistrados Mineiros e o Vice Presidente do Plano de Saúde da Amagis, juiz Bruno Terra Dias, estiveram em Sete Lagoas na quarta-feira (14/10), onde aconteceu reunião com a presença de juízes que atuam na Comarca de Sete Lagoas. A reunião dos magistrados aconteceu no gabinete do juiz Roberto das Graças Silva, Diretor do Fórum “Desembargador Félix Generoso”. Segundo o Presidente da Amagis, a reunião serviu para comemorar a elevação da Comarca de Sete Lagoas para Comarca de Entrância Especial. “Era um sonho da Magistratura de Sete Lagoas”, disse. De acordo com o juiz Nelson Missias, nesta reunião o juiz diretor Roberto das Graças questionou a questão da segurança dos fóruns de Minas Gerais. “Comunicamos aos juízes sobre a reunião que tivemos em BH no dia13/10, com o Presidente do Tribunal e do Comando Geral da PMMG sobre o programa de políticas de apoio ao magistrado em situação de risco ou ameaça e da segurança dos edifícios dos fóruns”,explicou o Presidente da Amagis. De acordo com Missias, é o programa para funcionar de imediato. “A PMMG já tem nos dado total apoio, só que a partir de agora vamos fazer um planejamento para todo o Estado, mas segurança é algo que existe 24hs por dia, passou a existir em SL e em todo estado, entretanto haverá um Plano Estratégico de atendimento a todas as comarcas”, explicou. Para o juiz Nelson Missias, a reunião em Sete Lagoas, também foi uma oportunidade para apresentar o candidato a Presidente da Amagis, Bruno Terra Dias, em eleições que acontecem em dezembro.

Questão salarial

O Presidente da Amagis, considera a questão salarial hoje como uma das situações complexas da classe. “Embora hoje não se vive mais momentos de penúrias, mas ao magistrado não pode exercer outra profissão, a não ser a função judicante e um cargo de professor. Ele tem que viver com seu salário e com dignidade e ele não trabalha só no horário de expediente forense , manhã, noite, sábados, domingos e feriados e nas férias”,argumenta. “Ele disse ainda, que desconhece um magistrado em Minas que tenha tirado 30 dias de férias, já que os 10 primeiros são para colocar o serviço em dia e os últimos dias de férias para antecipar o serviço.” Quando o magistrado sai de férias, não tem um juiz para fazer todo o serviço, só cuida das medidas urgentes, e com isso a féria acaba sendo um sacrifício para o magistrado”, explicou.

Recessos

O Presidente da Amagis também criticou o fim de um dos recessos forenses e justificou sua afirmativa por considerar que é uma função penosa, e com o agravante, ele não usa nem os 30 dias. “De férias, ele não faz audiência, não atende as partes, é o momento que ele consegue colocar os processos de sentenças em dia”, disse. Missias também cobrou a falta de juízes titulares nas comarcas, o que em sua opinião além de mais carga de trabalho, reflete na prestação jurisdicional. “Esse é um problema generalizado,embora a gente tenha dado passos largos no sentido de melhorar, ainda faltam magistrados, estrutura de trabalho, faltam servidores, enfim é um conjunto que precisa ser atendido, para que a justiça possa melhorar a cada dia. Mas, não podemos esquecer que as normas processuais também precisam ser mudadas, ás vezes culpa-se o judiciário pela morosidade, mas muitas vezes a culpa não é do juiz, mas do próprio sistema processual que precisa ser mudado”, ressaltou o Presidente da Amagis.


Saúde dos Magistrados


O Presidente da Amagis, informou que a última pesquisa feita com os magistrados de Belo Horizonte em razão do stress e do acúmulo de serviço, 65% dos magistrados só dorme com sono induzido, ou seja, tem que fazer uso de medicamento para dormir. “Essa estatística revela o quadro triste e lamentável porque passam os magistrados em razão do excesso de trabalho”, concluiu o juiz Nelson Missias.




No dia 11, as guardas de congado de Sete Lagoas realizaram uma grande festa

  • Categoria: Cidades
As guardas vêm chegando e tomam conta da rua, no bairro de Santo Antonio, em Sete Lagoas, Minas Gerais. O colorido das fitas alinhadas entre os postes de luz enfeita a rua para a grande festa da cultura negra. A música e a dança dos Moçambiques e Congadeiros chamam a atenção de toda a comunidade. Entre cumprimentos abençoados por reis e rainhas, os integrantes das Guardas de Congo Femininas Nossa Senhora Aparecida e Santa Joana D´Arc, as Guardas de Congo Santa Rita e União do Rosário São Cristóvão, e os Moçambiques Nossa Senhora Imaculada Conceição e Nossa Senhora da Abadia se confraternizam no domingo de 11 de outubro.  

Dona Eliana da Silva, anfitriã da festa, com a ajuda da comunidade, enfeitou o seu terreiro com fitas de todas as cores, preparou almoço para receber mais de 300 pessoas. Há 53 anos, ela participa do congado. Filha de congadeiro, seu Geraldo Cardoso, manteve a tradição da família e em 1994, fundou a segunda guarda Feminina de Sete Lagoas, chamada Rosário Nossa Senhora Aparecida.

A religiosidade é a grande motivadora do congado, que mescla a cultura negra com a religião católica. É uma dança, acompanhada de cortejo compassado, levantamento de mastros e músicas que louvam a santos. A sua origem remonta à diáspora e escravidão dos negros, como explica a antropóloga da Fundação Cultural Palmares, Taís Garone. Ela conta Nossa Senhora do Rosário apareceu no mar de Angola, em um período de intensas guerras. Os brancos tentaram resgatá-la com missas, novenas, bandas de música, mas a santa só aceitou retornar a terra pelos negros. Desde então, tornou-se companheira e entidade protetora do povo negro, afirma Taís.
 
“Para mim o mais importante do congado é Nossa Senhora do Rosário”, conta um dos mais antigos congadeiros de Sete Lagoas, seu Heber Luiz da Fonseca, 65 anos. Ele brinca que ainda no ventre de sua mãe já participava do congado. Seus pais fundaram a guarda Santa Rita, em 1943. Em Sete Lagoas, existem 24 guardas de congado e sete de Moçambique. A cidade é uma das principais mantenedoras da cultura no estado de Minas Gerais. Outra peculiaridade de Minas é a devoção a mais dois santos: Santa Efigênia e São Benedito.

Em média, uma guarda possui aproximadamente 40 componentes. Cada grupo se distingue por seu ritmo, instrumentos, coreografias. Enquanto a guarda de congo é mais lenta, com formatação definida, cantada por sete vozes, o Moçambique é mais agitado e seus integrantes formam um coro musical. As guardas de congo possuem instrumentos de corda e de percussão como: viola, adufe, caixas, tambores, maracas. Já o moçambique possui apenas instrumentos percussivos como o treme-terra, a folha e a gunga (espécie de chocalho fixado nos pés dos integrantes).

Modificações e prêmios

No Brasil, uma das principais modificações do congado é a participação direta da mulher nas guardas, avalia a antropóloga, Taís Garone. A mulher tradicionalmente sempre cozinhou para as festas, costurou os uniformes, limpou os terreiros, mas nunca pôde integrar uma. Há aproximadamente trinta anos, segundo Taís, elas conquistaram o seu espaço e passaram a dançar e cantar nas guardas.

A influência masculina é tão forte que mesmo ao se tratar de uma guarda do sexo oposto, cabia ao homem fundá-la. Foi o caso da primeira guarda feminina de Sete Lagoas, a Santa Joana D´Arc criada em 1990, por seu Juvenal Martins. Para seu Heber da Fonseca, o machismo aos poucos dá lugar ao respeito à presença feminina. Na Guarda Santa Rita, a mais antiga de Sete Lagoas, elas ganham espaço gradativamente. Hoje dos 55 componentes, 20 são mulheres.
 
 

 
Premiações
Neste ano, a Associação Regional dos Congadeiros de Sete Lagoas teve o projeto Ponto de Cultura Cecília Preta aprovado como Ponto de Cultura de Minas Gerais pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e do Ministério da Cultura. Com o projeto, a entidade, a partir do próximo ano, deverá oferecer cursos e oficinas para a comunidade. A expectativa é suprir as principais demandas das guardas que são uniformes e novos instrumentos musicais.

O congado de Sete Lagoas tem na figura de Dona Eliana uma de suas grandes representantes. Em 2007, ela foi uma das vencedoras do prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura, edição “100 anos de Mestre Duda”. “Era uma quarta-feira, lembro até hoje, comentei com minha irmã: eu vou ganhar este prêmio porque tenho fé em Nossa Senhora Aparecida, que é mãe e não madrasta e ela vai me ajudar. Na sexta-feira eles me ligaram para anunciar a minha vitória”.  

Para ela, o congado leva muita coisa boa às pessoas: a religiosidade, muitos milagres, alegria, cultura, educação, solidariedade, respeito e principalmente fé numa vida melhor.
 

Kelen Vanzin
Jornalista Voluntária

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