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Sem o encontro em debates na TV, Bolsonaro e Haddad disputam votos e trocam ataques em rede social

Enquanto não se encontram frente a frente, os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) usam e abusam das redes sociais para trocar ataques. Ontem, a falta de debates na TV levou os dois candidatos que disputam o segundo turno a deixar de lado as alfinetadas indiretas e passar ao confronto direto via Twitter. A conversa começou com uma provocação de Bolsonaro ao petista. Haddad, então, desafiou o adversário a participar de um debate na TV.

Foto: Reprodução/Twitter e Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

O presidenciável citou a corrupção nos governos dos ex-presidente Lula e Dilma. “Essa história de o fantoche de corrupto admitir erros do seu partido é pra boi dormir. A corrupção nos governos Lula/Dilma não era caso isolado, era regra para governar. Por isso estão presos presidente, tesoureiros, ministros, marqueteiros etc.”, afirmou o capitão reformado.

Haddad respondeu ao post convocando o militar para um debate cara a cara. “Tuitar e fazer live é fácil, deputado. Vamos debater frente a frente, com educação, em uma enfermaria se precisar. O povo quer ver você aparecer na entrevista de emprego”, escreveu o ex-prefeito de São Paulo.

Bolsonaro subiu o tom atacando o ex-presidente Lula e chamando Haddad de “Andrade”, em referência ao fato de o nome do petista ser pouco conhecido pelo Brasil no início da eleição. “Senhor Andrade, quem conversa com poste é bêbado. Existe um que está preso por corrupção e você vai toda semana na cadeia visitá-lo intimamente além de receber ordens! Cuidado que pelo desenrolar das notícias você pode ser o próximo!”, afirmou o candidato do PSL.

Na sequência, Haddad respondeu o candidato do PSL com uma foto de um palco projetado para um debate na televisão escreveu: “Te espero aqui, deputado.”

O capitão reformado se recupera de uma facada e cancelou a participação nos debates eleitorais do segundo turno, alegando que aguarda liberação médica para avaliar se participa ou não dos programas. Ele afirmou, no entanto, que mesmo liberado, vai analisar estrategicamente se é interessante para ele participar de encontros com Haddad antes da eleição. O militar chegou a dizer que só aceitaria ir a um debate “sem interferência de terceiros” e chegou a propor um debate na rua, com a presença de jornalistas.

Fogo amigo

A campanha de Fernando Haddad sofreu um revés com a fala de um tradicional aliado do PT, o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE), irmão do ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) –, que na segunda-feira se envolveu em uma discussão com militantes do PT ao cobrar um ‘mea culpa’ do partido. Após elogiar Haddad, Cid Gomes afirmou em evento em Fortaleza que membros do PT “têm de pedir desculpas, têm de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”. Ele foi vaiado pela militância, que o interrompeu aos gritos de “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. “Lula tá preso, ô babaca. Babaca, babaca. Isso é o PT. E o PT deste jeito merece perder”, disse o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação.

Ontem, em entrevista à Rádio Jornal Meio Norte, do Piauí, o presidenciável petista disse ainda esperar o apoio de Cid. “Vamos ter o Cid dando uma declaração explícita sobre a minha candidatura porque ele sabe o risco do (Jair) Bolsonaro ser presidente”, disse Haddad. Questionado sobre se espera o apoio também de Ciro Gomes, que conquistou 13,3 milhões de votos no primeiro turno, o petista afirmou crer que “estes dois grandes brasileiros assumam a responsabilidade com o País”.

Em um sinal de afago aos irmãos, Haddad citou várias vezes o Ceará como exemplo de política pública nas áreas de educação. “Tem cidades do Sul e do Sudeste copiando exemplos do Ceará”, afirmou, em uma das passagens.

Repúdio

Antes do embate com Haddad, Bolsonaro usou as redes ontem para repudiar o apoio de David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, grupo racista que já cometeu diversos assassinatos nos Estados Unidos. “Recuso qualquer tipo de apoio vindo de grupos supremacistas. Sugiro que, por coerência, apoiem o candidato da esquerda, que adora segregar a sociedade. Explorar isso para influenciar uma eleição no Brasil é uma grande burrice! É desconhecer o povo brasileiro, que é miscigenado”, escreveu o candidato do PSL.

Ao falar de Bolsonaro em seu programa de rádio no dia 9, o ex-líder da KKK comemorou o fato de o candidato ser um nacionalista: “Ele soa como nós”. Em seu comentário, Duke começa dizendo que movimentos nacionalistas têm se espalhado pelo mundo “até em países que você nunca pensou”. “Ele é um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco na América, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França ou Reino Unido. Ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro”, disse Duke.


Com Estado De Minas




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