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Coluna / Comércio Exterior / A Obsolescência Programada no Comércio Exterior

Neste mundo, cada vez mais conectado tecnologicamente, pessoas de diferentes países realizam trocas de informações sobre produtos e serviços. Essa colaboração mútua vem aproximando os indivíduos além das fronteiras culturais e geográficas. É verdade que o acesso a produtos e serviços de diferentes partes do mundo está contribuindo para as constantes mudanças nos hábitos de consumo e no modo que as pessoas se enxergam em um mercado globalizado.

 Foto: Imagens Google Foto: Imagens Google

Embora a percepção em relação a um produto seja única em cada pessoa. Essa mesma percepção, porém, pode ser influenciada pelo lançamento de um produto ou por uma nova tendência de consumo.

Diferentemente do que acontecia nas décadas anteriores, quando um produto lançado no exterior demorava bastante tempo para ser divulgado no mercado brasileiro; isso quando era divulgado. Nos dias atuais, por meio do comércio eletrônico (e-commerce), qualquer pessoa, em qualquer parte do Brasil e a qualquer momento pode comprar uma mercadoria ou contratar um serviço de qualquer país, respeitando os trâmites legais de cada operação.

Neste ponto, não só as empresas, como também os próprios consumidores estão por dentro das novidades do mercado quase que em tempo real. Em consequência disso, consumidores mais atentos ao que acontece no mercado global impõem o ritmo com que novos produtos chegam às lojas. As empresas buscam respostas rápidas – às vezes não politicamente corretas – frente a um maior poder de escolha dos consumidores que, nos últimos anos, estão menos sensíveis à imposição e ao apelo de muitas marcas.

Em outras palavras, valores como qualidade e percepção de benefícios, aliados com preço e expectativa podem não ser determinantes para fidelizar o público alvo, quando se observa que as pessoas, em geral, têm substituído ou comprado produtos com uma frequência maior. Isso não se trata apenas de uma mudança nos hábitos de consumo, mas pode ser também reflexo de uma prática adotada por determinadas indústrias que, ao reduzirem propositalmente o tempo de vida útil ou a funcionalidade de um produto, induzem o consumidor a substituí-lo em um curto espaço de tempo.

Sabe-se que qualquer produto está sujeito a um desgaste natural e aceitável dentro de suas características, seja qual for o ciclo de vida estipulado pela indústria. No entanto, alguns produtos estão se tornando obsoletos e ultrapassados não por um desgaste próprio ou pelo uso, mas em função de uma prática adotada pela indústria, chamada de obsolescência programada.

É notável que determinados produtos deixam de funcionar sem um motivo aparente ou apresentam defeitos, injustificadamente pela indústria, cujo conserto ou reparo não se apresenta de forma vantajosa para o consumidor. Quando fabricado para não durar o suficiente ou apresentar defeitos em um dado momento, quase sempre após o término da garantia. Dizemos que aquele produto ficou obsoleto de forma programada.

Por outro lado, quando o consumidor, por escolha própria, decide trocar um produto pelo simples desejo de ter o último lançamento perde-se, em tese, a ideia da obsolescência programada pela indústria, dando lugar ao que é chamado de obsolescência percebida, ou seja, não há uma influência direta da indústria na decisão do consumidor em substituir um produto até então em perfeito funcionamento. Aquele produto tornou-se literalmente obsoleto porque a pessoa percebe que a nova versão ou o que acabou de ser lançado, por assim dizer, atenderá mais sua necessidade ou satisfazer o ego.

Por essa ótica, não se pode atribuir tão somente à indústria o consumo desenfreado, quando mudanças constantes no hábito de consumo oferecem inúmeras oportunidades de o mercado aumentar a presença dele nas vidas das pessoas com os mais diversificados produtos. Cria-se a partir dessa relação um ciclo vicioso e de uma dependência em produzir mais para comprar mais.

Muito do que se consome e se usa no Brasil foi produzido ou fabricado em outros países. Mesmo na cultura brasileira, onde se tem difundida a ideia de que produtos importados sejam sinônimos de qualidade superior aos fabricados no mercado local. Não significa dizer que a prática da obsolescência programada não seja adotada em outros países. Até mesmo porque, segundo diversas pesquisas, essa prática teve início nas grandes empresas multinacionais. Neste sentido, desde as lojas ditas como referência de qualidade até nos mercados de rua ou nos famosos “Xing Ling”, encontram-se indícios de obsolescência aplicada em alguns produtos.

Vale dizer, portanto, que não se trata do país onde o produto foi fabricado, das lojas que o vendem, do público alvo ou de suas características. Quando um produto é projetado para ter uma durabilidade menor que a esperada ou até mesmo ser fabricado para ter versões lançadas em um curto espaço de tempo induz, de forma indiscriminada, a compra ou a troca por novos produtos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

IDEC. Entenda o que é obsolescência programada. 2012. Disponível em: <https://idec.org.br/ consultas/dicas-e-direitos/entenda-o-que-e-obsolescencia-programada>. Acesso em: 23/06/2018.

VANNIER, Mariana. Obsolescência Perceptiva. 2018. Disponível em: <https://www.ecycle.com.br/5736-obsolescencia-perceptiva.html>. Acesso em 24/06/2018.

DANNORIZER, Cosima. Comprar, tirar, comprar la historia secreta de la obsolescência progamada. Santiago do Chile. REVISTA PLANEO, ano 2018, n. 36, Jun., 2018. Disponível em: <http://revistaplaneo.cl/2015/10/05/comprar-tirar-comprar-la-historia-secreta-de-la-obsolescencia-programada-2/>. Acesso em 24/06/2018.

Franciney Carvalho é graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelas Faculdades Promove e pós-graduado em Logística pela UNA. Professor de Comércio Exterior nos cursos de Administração, Logística e Contabilidade no Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional – CEFAP.




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