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Coluna / Mirela Leal / Psicologia / Amanhã eu faço...

“Acorda cedo, o dia vai ser produtivo. O foco é aquele projeto importante que precisa ser entregue na próxima semana. Então, começa logo a trabalhar. Mas, depois de meia hora, resolve dar uma olhadinha nas redes sociais, só por alguns minutinhos... Se perde no tempo. Volta a focar no trabalho. Levanta para pegar um copo de água. Decide checar o e-mail. Volta ao trabalho. Liga para o amigo, conversa um pouco. Olha de novo as redes sociais. Levanta para pegar um cafezinho... Já é fim do dia e o projeto continua no mesmo ponto”.

Foto: ilustrativa / reprodução internet

Uma palavra pode definir essa situação: procrastinação, o atraso desnecessário de atividades importantes e tomada de decisões, acompanhado de diferentes prejuízos na qualidade de vida das pessoas seja no campo profissional, social ou pessoal¹.

Mas, entre atrasos e prejuízos, nem todo comportamentos de “deixar para depois” é uma procrastinação. Talvez seja mesmo necessário adiar um projeto para o dia seguinte, isso porque o tempo disponível será maior ou porque alguma situação atípica atravessou o que estava planejado para o momento. O problema surge quando, a tarefa é sempre transferida para os próximos dias e, quando a pessoa percebe, seus prazos estão no fim e seu trabalho precisa ser feito no limite do tempo.

E quais as razões para procrastinar? Estudos na área da Psicologia mostram alguns motivos principais: insegurança quanto às próprias capacidades, medo de falhar, desmotivação diante das tarefas consideradas “chatas e monótonas” e ainda a falta de organização que gera nas pessoas uma sensação de não saber por onde começar¹.

Em um cotidiano cheio de deveres, prazos, incertezas e responsabilidades a procrastinação pode ser usada como uma estratégia de enfrentamento trazendo, em curto prazo, um alívio pelo distanciamento das atividades mais aversivas. Porém, em longo prazo, os danos envolvem perda de oportunidades, queda de produtividade, problemas nos relacionamento, sentimentos de tristeza, frustação, baixa autoestima e mesmo ansiedade e estresse.

E, justamente por ocasionar um alívio momentâneo, o comportamento procrastinador é relativamente difícil de ser manejado, mas, o primeiro passo é o reconhecimento, por parte da pessoa, da sua tendência à procrastinação. Nesse ponto, a Psicologia pode contribuir auxiliando na identificação do padrão de funcionamento e da influência do ambiente nesse comportamento. A partir daí, ferramentas são utilizadas para a organização das tarefas, estabelecimento de metas claras, administração do tempo, regulação emocional, adequação do ambiente, reconhecimento das habilidades entre outras. Tudo para promover uma maior produtividade na vida profissional, acadêmica e pessoal de forma mais saudável.

FONTE:

1 BRITO; F. S.; BAKOS, D. G. S. Procrastinação e terapia cognitivo-comportamental: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, v.9, n.1, 2013.

Graduada em Psicologia (FCV), formação em Psicologia Clínica da Obesidade e Emagrecimento (CESDE). Psicóloga Clínica  no consultório Vínculos Psicologia Clínica e Saúde.