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Câncer de intestino já é o segundo de maior incidência entre brasileiros

O Instituto Nacional do Câncer José de Alencar – INCA liberou recentemente as estatísticas de incidência do câncer no país, o que nos permite analisar o sucesso das ações preventivas. Infelizmente, os números não são positivos e demonstram a necessidade de atenção, tanto da população, quanto do Governo.

Foto: Re/IlustrativaFoto: Re/Ilustrativa

O maior destaque foi a expectativa de aumento, entre homens, da incidência do tumor de intestino (cólon e reto), que passou a ocupar o segundo lugar com previsão de 20.550 casos por ano, atrás apenas do câncer de próstata: 66 mil casos. Dessa forma, o câncer de intestino ultrapassou o de pulmão, cuja incidência deve ficar em 17.760 casos, pouco menos que os 18.740 de 2018.

Essa inversão é um fenômeno preocupante, resultado de décadas de hábitos nocivos à saúde. À primeira vista, tendemos a explicar os novos dados de forma óbvia, como reflexo da redução do tabagismo no país e consequente queda nas taxas de câncer de pulmão.

Houve um aumento considerável na incidência de câncer de intestino e em indivíduos mais jovens, abaixo dos 55 anos.

Existem várias hipóteses explicativas. Uma delas é a alteração na flora intestinal. Uma flora normal, com bactérias consideradas saudáveis para o intestino, tem uma série de ações positivas de regulação do sistema imunológico e de controle dos processos inflamatórios. Esse funcionamento adequado está ligado a autovigilância do sistema imunológico e anticâncer natural do organismo.

Então, a hipótese é que a alteração da flora intestinal facilitaria o aparecimento do câncer de intestino. Essa mudança no funcionamento normal está relacionada, primeiramente, ao desequilíbrio alimentar. Ou seja, uma alimentação pouco saudável, rica em gordura e proteína animal, alimentos enlatados, embutidos, conservados artificialmente, com excesso de gordura trans, e pobre em frutas, legumes, fibras, peixe etc.

O consumo em excesso de adoçantes artificiais como sacarina, ciclamato, aspartame também vem sendo estudado como possível causa da alteração da flora intestinal.

Outra possibilidade muito investigada é o abuso de antibióticos, que foram usados indiscriminadamente para infecções simples e por tempo prolongado, quando não equivocadamente para infecções viróticas ou quadros de alergia. Lógico, os estudos precisam se consolidar para que todas essas hipóteses possam se confirmar. Mas, a tendência é que realmente se confirmem.

Outro ponto preocupante observado nos dados liberados pelo INCA é o aumento progressivo da incidência de câncer no país. No Brasil, no biênio 2018-20, a expectativa eram 600 mil casos anuais. Agora, são 625 mil casos.

Não podemos negar que a população está aumentando e isso deve refletir em taxas maiores. Mas, é importante observar também, que, conforme as pessoas envelhecem mais, o câncer proporcionalmente aumenta, porque, em geral é uma doença degenerativa. Quanto mais as pessoas vivem, maiores as chances de desenvolverem câncer.

Além disso, devemos notar que os métodos de diagnóstico melhoraram, permitindo o registro de mais casos. No passado, muitas vezes, as pessoas morriam sem saber que tinham câncer, pois não existiam formas de identificar a doença.

Para finalizar, destaco que Minas Gerais segue a tendência nacional de aumento geral da incidência com 67 mil casos previstos por ano. Entre as mulheres, mama ocupa o primeiro lugar, com 8.250 casos, seguido de colo do útero, com 1.270. Entre os homens, está próstata, com 6.420 casos. Contabilizando homens e mulheres, seguem intestino, com 4000 casos, e pulmão, com 2.990.

Com Instituto Oncoguia (adaptado)




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