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Cervejas da Backer desaparecem de bares em Minas após registro de óbitos

O barbeiro Wander Coelho, de 65 anos, retirava nessa quarta-feira (15) garrafas da cerveja Belorizontina do freezer que mantém em seu local de trabalho. Ele tem uma "barbejaria" na capital mineira que oferece cerveja aos clientes e revendia exclusivamente produtos da Backer, investigada por suspeita de contaminação. "Um cliente chegou, viu e perguntou: 'Ainda está vendendo dessas?' Via que as pessoas chegavam na barbearia e levavam um susto."

Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução

A contaminação de lotes da Belorizontina com a substância tóxica dietilenoglicol causou medo entre frequentadores de bares e moradores de Belo Horizonte e fez com que comerciantes se antecipassem ao recall de garrafas, determinado pelo governo. A Polícia Civil de Minas investiga o elo entre a substância e casos de morte e intoxicação – já são 18 notificações, com três óbitos confirmados.

Coelho já não vendia os produtos Backer desde segunda-feira (13), quando o Ministério da Agricultura determinou que a empresa recolhesse bebidas de todos os rótulos fabricados a partir de outubro. Iniciou a retirada na quarta porque telefonou ao representante da Backer e pediu que recolhessem as garrafas. São cerca de 300, que deram lugar a unidades de outra empresa. Após a determinação do ministério, a Backer pediu na Justiça mais tempo para fazer o recall dos produtos.

Um bar do tradicional Mercado Central que também revendia produtos Backer fechou. Uma lona preta foi colocada em toda a fachada, escondendo o letreiro em que se lia o nome da marca.

Em um dos bares do Mercado Central, o aposentado Carlos Alberto Carrusca, de 62 anos, disse que é consumidor da Belorizontina e bebeu uma garrafa da marca em novembro. "O povo fica com medo. Agora não dá para beber mais dessa."

Em várias lojas de três grandes redes de supermercados de Belo Horizonte, incluindo a que, segundo as investigações da Polícia Civil, vendeu unidades da Belorizontina que pertenciam a pelo menos um dos seis lotes contaminados com dietilenoglicol, não foram encontrados rótulos da Backer nas prateleiras ou geladeiras.

Um consumidor, que pediu para não se identificar, relatou receio por ter consumido a Belorizontina. Enquanto procurava outras marcas de cerveja artesanal nas prateleiras, afirmou que pode até voltar a beber Backer. "Mas só se ficar comprovado que foi sabotagem", emendou. Desde o início das apurações, a polícia afirma não descartar nenhuma linha de investigação.

Direitos

O coordenador do Procon de Minas, Amauri Artimos da Matta, afirmou na quarta que todos os consumidores que adquiriram a cerveja Belorizontina dos lotes que tiveram contaminação comprovada podem acionar a Justiça contra a fabricante. O Procon de São Paulo notificou a empresa para que preste esclarecimentos sobre a comercialização no estado. E o Ministério Público de Minas estuda entrar com ação civil pública contra a empresa.

Com Itatiaia




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