Para apoiar a candidatura dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, o vice-governador Professor Mateus e o secretário de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), Leônidas Oliveira, estiveram reunidos na Representação do Brasil junto à Unesco, em Paris, nesta sexta-feira (3/11).
Eles foram recebidos pela embaixadora Paula Alves de Souza, delegada permanente junto à Unesco, além do conselheiro no setor de ciências, Sérgio Benevides, e do conselheiro do setor de cultura, Bruno Miranda Zétola.
Durante a reunião, a embaixadora e o conselheiro do setor de cultura expressaram otimismo sobre um parecer positivo por parte da Unesco.
A candidatura visa reconhecer os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal como um importante Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, sendo uma ação significativa na valorização e promoção do conhecimento tradicional mineiro. Esta iniciativa busca preservar os métodos e técnicas de produção de queijo desenvolvidos ao longo de três séculos por pequenos produtores rurais de Minas Gerais.
“A candidatura está muito bem encaminhada: foram dois anos de trabalho para chegar a este ponto. O registro vai nos dar condição de apresentar para o mundo inteiro o queijo Minas mais do que simplesmente um produto, mas como algo da cultura mineira e brasileira”, destacou o vice-governador, Professor Mateus, após a reunião.
“O ano de 2024 será muito especial para Minas Gerais no caso desse possível reconhecimento dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Se confirmado, este será o primeiro produto da cultura alimentar do Brasil a ter o título. Ganha nossa cultura e, sobretudo, ganha o turismo potencializando a economia da criatividade”, completou o secretário Leônidas Oliveira. Já são reconhecidos pela Unesco, por exemplo, o frevo e a roda de capoeira.
“Temos a sinalização do secretariado de que o processo está completo e todos os documentos estão alinhados com aquilo que pede a convenção e agora esse dossiê segue para um órgão externo de avaliação composto por 12 membros de todas as regiões do mundo que dirão se esse elemento tem o valor excepcional para ser inscrito”, explicou o conselheiro do setor de cultura Bruno Miranda Zétola.
Divulgação do resultado
O anúncio pela Unesco está programado para ocorrer entre novembro e dezembro de 2024.
Com a garantia do título, as regiões produtoras estão previstas para se tornarem destinos culturais e turísticos ainda mais atrativos para o público local de Minas Gerais, bem como para visitantes de outros estados e países. Isso promete impulsionar o desenvolvimento econômico e sociocultural. Se a organização confirmar o título, há a previsão de que a cozinha mineira e a cultura brasileira ganharão destaque mundial, o que deve potencializar a economia e o turismo do estado.
Atualmente, há o reconhecimento de dez territórios: Entre Serras da Piedade e Caraça, Araxá, Campos das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro e Serras da Ibitipoca.
De 2019 a 2023, o Governo de Minas, por meio da Seapa e suas entidades vinculadas, reconheceu dois tipos de queijos (Casca Florida e Queijo Cozido) e elaborou dois Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade (Mantiqueira de Minas e Alagoa).
Produção em Minas
Segundo levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), são 8.811 estabelecimentos destinados à produção dos diversos tipos de queijos artesanais no estado.
Neste grupo, o destaque é o Queijo Minas Artesanal. São 3.103 agroindústrias em Minas Gerais. A produção estimada é de 21,8 mil toneladas por ano, o que representa 65,2% da produção dos queijos artesanais das agroindústrias familiares.
Histórico
As articulações do Governo de Minas em torno do projeto com a Unesco começaram em setembro de 2022, durante o 4º Festival do Queijo Artesanal Mineiro, em Belo Horizonte. Posteriormente, entre o fim de novembro e o início de dezembro, o Governo de Minas, por meio da Secult, realizou a promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal na 17ª Sessão do Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, em Rabat, no Marrocos. Em março deste ano, um dossiê foi entregue ao secretário da Convenção do Patrimônio Imaterial da Unesco, Tim Curtis.
O processo de candidatura foi conduzido pelo Iphan, em articulação com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG); as Secretarias de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa); a Emater-MG; a Rede Minas; e a Associação Mineira de Produtores de Queijo Artesanal (Amiqueijo).
De 2019 até 2023, o Governo de Minas, por meio da Seapa e suas vinculadas, reconheceu dois tipos de queijos (Casca florida e Queijo Cozido) e elaborou dois Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade (Mantiqueira de Minas e Alagoa).
Aspirante Geoparque Uberaba
Também no encontro desta sexta-feira, Professor Mateus e Leônidas Oliveira ressaltaram a importância da candidatura do Aspirante Geoparque Uberaba – Terra de Gigantes, que almeja a inserção no rol de Geoparques Mundiais da Unesco. Os representantes do Governo de Minas também ouviram boas notícias a respeito dessa investidura e do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, como Patrimônio Ambiental da Humanidade.
“É muito impressionante e, para mim, é um prazer ver o Brasil representado desta maneira, de uma maneira tão completa, seja na gastronomia, seja em aspectos naturais do próprio país, aqui na Unesco. Eu só tenho que felicitar Minas Gerais por toda essa qualidade que vem apresentando no aspecto cultural, natural e na sua gastronomia”, comentou a embaixadora Paula Alves.
“Falta apenas que a candidatura seja referendada pelo Conselho Executivo da Unesco, que deve acontecer no início do próximo ano. Eu vejo a candidatura de Uberaba muito bem encaminhada para o ingresso na lista de geoparques”, complementou o conselheiro no setor de ciências Sérgio Benevides.
Se aceito na lista, o Aspirante Geoparque Uberaba trará inúmeros benefícios ao município e a Minas Gerais, como a promoção do turismo sustentável, o fomento de pesquisas científicas em relação ao patrimônio geológico, a conscientização sobre a conservação e a valorização do patrimônio cultural e histórico, além do desenvolvimento da economia e do empreendedorismo locais.
A história da unidade remonta ao ano de 2014, quando o geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro identificou a cidade do Triângulo Mineiro como um parque ecológico em potencial, comprovando, a partir de sua tese de doutorado, que o município concentra uma diversidade de sítios paleontológicos associada a um elevado grau de conservação desses fósseis, de inúmeras e diferentes espécies, encontrados em um território que totaliza 4.523,957 quilômetros quadrados, dimensão semelhante à de outros geoparques europeus. Somado ao rico patrimônio paleontológico, o Aspirante Geoparque Uberaba ainda conta com mais dois pilares: a espiritualidade, representada pelo médium Chico Xavier, e o gado Zebu.
Após várias pesquisas e reuniões com diversos órgãos, a Comissão Técnico-científica da Unesco, após análise do dossiê de candidatura, foi recebida, em julho deste ano, em Uberaba. Em setembro passado, durante a 10ª Conferência Internacional de Geoparques da Unesco, no Marrocos, o projeto foi recomendado como um Geoparque Mundial.
Missão internacional
As agendas oficiais do vice-governador na Europa começaram nessa quinta-feira (2/11). O primeiro compromisso foi na Embaixada do Brasil em Paris. Na oportunidade, o embaixador Ricardo Neiva Tavares deu as boas-vindas aos representantes do Governo de Minas Gerais, que cumpre agendas na França e na Inglaterra até a próxima terça-feira (7/11).
Da Redação com Agência Minas