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Quem era o homem acusado de matar a pequena Bárbara Victória

Um homem tranquilo e que falava de Deus: Paulo Sérgio, de 50 anos, que foi encontrado morto na tarde de terça-feira (3), é o principal acusado do crime contra Bárbara Victória, de 10 anos em Ribeirão das Neves.

Foto: Polícia Militar / ReproduçãoFoto: Polícia Militar / Reprodução

O home era pouco ligado à família, apesar de ter morado boa parte da vida no mesmo lote onde tem a casa da mãe, do irmão e do filho. A simplicidade com que os conhecidos narram a vida que Paulo parecia levar se choca com a brutalidade do crime de que é suspeito: violentar e matar uma criança.

“Ele sempre passava por aqui com uma chave de fenda e um alicate na mão para fazer os bicos como eletricista. Passava, cumprimentava todo mundo, tomava uma cachacinha e depois ia embora. Era muito tranquilo”, releva Cesar Conceição de Amorim, de 53 anos, morador do bairro Landim, em Ribeirão das Neves, onde Paulo também residia. “Não era de conversar demais. Passava, falava: ‘Deus o abençoe’, ‘dá um abraço nos seus irmãos’, porque ele conhecia meus irmãos, e quando ia embora, era um ‘vá com Deus’ e ia”, acrescenta.

Uma imagem e vivência que, na visão do vizinho, contrasta com uma possível participação em um crime brutal. “Posso falar a verdade com você? Isso é falta de Jesus no coração”, afirma, partindo do pressuposto de que Paulo é o principal suspeito de ter matado a pequena Bárbara e que as investigações seguem.

Algumas ruas adiante, moradores e comerciantes rapidamente indicam o caminho. “A casa dele é ali”. A casa de Paulo, agora vazia, fica em uma rua estreita, onde passam poucos carros. Do lado de fora é possível ver que, no lote, há uma porção de casas simples, com paredes de tijolos aparentes, vigas expostas tomadas por vegetação e entulho.

Em uma das entradas que dá acesso ao local, um rapaz terminava de acomodar alguns eletrodomésticos e uma trouxa de roupas em um carrinho de supermercado. Era o filho de Paulo. Ao lado dele, estava a mulher e a filha, uma criança, neta de Paulo, e que aparenta ter idade próxima a da Bárbara.

Visivelmente abalado pelos últimos acontecimentos, o rapaz lamentou não poder ajudar com mais informações, e se limitou a dizer que estava indo embora porque tudo ali o lembrava do ocorrido. "Não quero mais ficar aqui, tudo aqui me lembra esse caso, e eu não tenho nada a ver com isso", diz.

O filho, que até aquele momento, cerca de 20 horas após a morte do pai, ainda não tinha ido liberar o corpo no IML, conta que nunca teve uma relação próxima com ele. “Ele era muito fechado, sempre foi. Não tinha muito convívio com ele, apesar dele morar ali e eu aqui”, disse apontando para a casa do pai. "Minha parte eu fiz, dei depoimento na polícia e agora vou embora", completa.

Depois de tudo que viu, ouviu e vivenciou, o jovem, de 25 anos, já criou uma teoria própria, antes mesmo de uma resposta. Questionado sobre a suspeita de que o pai tenha cometido o crime, o rapaz respondeu "ele só dizia que não tinha visto a menina. Ficava repetindo 'eu não vi, não sei onde ela está', mas então por que não esperou o laudo? Se ele não fez isso, pra que se matar?”, indaga.

Nas casas ao lado, vizinhos tentam dar seguimento à vida, na medida do possível. "Tenho deixado minhas panelas queimar no fogo. Estou atordoada. Com a cabeça longe. Chocada. Não dá para acreditar", conta uma moradora da região que, por receio do que pode acontecer, também pediu anonimato.

"Conheci ele (suspeito) ainda criança. A mãe dele me ajudou muito quando vim para o bairro, há mais de 40 anos. Ele sempre foi simpático, trabalhava com reciclagem, fazia bicos como eletricista. É difícil acreditar ", afirma.

A senhora se emocionou ao lembrar da relação com o vizinho. "Tenha uma neta da mesma idade. Ele cumprimentava minha netinha, sabe? A gente que é mãe, que é avó, sente, né?", diz. Ainda segundo a vizinha, a família nunca apresentou problemas de relacionamento entre si, nem com os outros.

“Gente trabalhadora, muito educados. Ele passava dificuldades, e eu já dei muita coisa pra ele. Eu nunca o vi em festa, nunca o vi com uma mulher, não era de beber. Mas quando recebi a notícia… Cê tá doida, minha mente foi para outro local. Chorei muito, senti. A gente que tem filho sofre, né? Não sei se a morte quer dizer que ele tenha feito isso (cometido o crime), pode ter sido muita pressão, né?”, suspeita.

Crime em apuração

Paulo Sérgio de Oliveira foi encontrado morto nessa quarta-feira (3), na casa de uma tia, no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste de Belo Horizonte. Ele nunca teria ido ao local antes da morte. O imóvel foi periciado pela Delegacia de Homicídios de Belo Horizonte, e também pelo delegado de Ribeirão das Neves, que acompanha os desdobramentos da morte de Bárbara Victória.

Por meio do seu porta-voz, o delegado Saulo Castro, a Polícia Civil disse que não tinha como confirmar a causa da morte do suspeito e também da criança, mas que as investigações seguirão.

Da redação com O Tempo



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