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Coluna / Franciney Carvalho / Comércio Exterior / Davos: quais lições ficaram para o Brasil?

O comércio se mostra como a principal força de integração entre as nações. Por meio dele os países estabelecem relações comerciais, constroem um intenso intercâmbio cultural e, essencialmente, criam uma interdependência na busca por um comércio mais justo e de uma sociedade em que todos possam se desenvolver economicamente.

Bolsonaro discursando em Davos. Foto: AFPBolsonaro discursando em Davos. Foto: AFP

A partir de iniciativas para aproximarem os governos e as empresas de diferentes países podem ser construídas discussões acerca das práticas de gestão no âmbito global que sinalizam as constantes mudanças que a globalização vem impondo não só aos governos e às empresas, mas, particularmente, a todos nós.

Iniciativas como a do Fórum Econômico Mundial (FEM) que, acontece anualmente em Davos, Suíça, é um forte sinal da necessidade de discutir os rumos da humanidade e do comércio mundial ao reunir grandes chefes de estado, líderes de grandes empresas, ONGs e da imprensa de diversos países. O tema desse ano, à propósito, foi: “Globalização 4.0: moldando uma arquitetura global na era da Quarta Revolução Industrial”.

Segundo Klaus Schwab, fundador do Fórum de Davos, a Quarta Revolução Industrial (ou Globalização 4.0) “(...) representa um mudança de paradigmas, aliada à velocidade com os quais os avanços da tecnologia digital e de soluções inovadoras da inteligência artificial e robótica se apresentam ao mundo corporativo e aos governos de praticamente todos os países”. Toda essa mudança, completa Thomas Philbeck, chefe de estudos de ciência e tecnologia do Fórum, terá um forte impacto na economia e no mercado de trabalho. A intensidade desse impacto tende a ser percebida em diferentes setores da sociedade à medida que “(...) essas tecnologias sejam desenvolvidas de acordo com os valores culturais e éticos de cada nação em particular”.

Na prática, os reflexos da Globalização 4.0 são percebidos na mudança dos hábitos de consumo e dos gostos pessoais. Uma das vertentes da Globalização 4.0 é a Tecnologia Disruptiva que consiste em um modelo de negócio que propõe algo diferente e inovador, quebrando os padrões e modelos já existentes. Se bem que esse tipo de tecnologia não objetiva eliminar o modelo de negócio já estabelecido, mas em construir conceitos e canais mais modernos na forma de oferecer produtos e serviços.

Isso quer dizer que ao deixarmos de ir a uma locadora de filmes, optando por assinar a Netflix que nos dá acesso a um catálogo diversificado de filmes e seriados, sem sair de casa; Ou quando deixamos de ir a uma agência de viagem fazer um pacote de férias, decidindo montar o mesmo pacote no Booking.com que nos oferece inúmeras opções de voo e serviço de hospitalidade; Ou mesmo, quando deixamos de utilizar os serviços convencionais de uma empresa de táxi, escolhendo a comodidade e a rapidez que o Uber nos proporciona, com preços e rotas já conhecidos. São exemplos de como a Quarta Revolução Industrial já faz parte da vida de muitas pessoas.

Nesse cenário global de intensas transformações, o novo governo brasileiro discutiu, em Davos, a posição do país em relação ao tema proposto, apresentando também ao mundo o que se pode esperar da nova gestão do governo nos próximos anos.

Encerrado o Fórum, quais lições ficaram para o Brasil? Foram listadas três de várias lições que puderam ser aprendidas em Davos:

1ª LIÇÃO: MENOS É MAIS

O cartão de visitas do Brasil no Fórum foi dado por meio de um breve discurso do presidente brasileiro, abordando os pontos, elencados por ele e pelos ministros, como apropriados para a ocasião. Se “menos” na fala for traduzido por “mais” em ações e em políticas de desenvolvimento social e econômico, naturalmente, o olhar atento dos investidores, das empresas, de outros governos e agentes econômicos se voltará ao Brasil com oportunidades de parcerias em áreas estratégias e acordos comerciais. Neste contexto, bem mais que uma antítese, menos discurso é mais quando se tem um propósito maior para o país.

2ª LIÇÃO: TER E SER NÃO SÃO SINÔNIMOS

Em sua primeira viagem internacional, o governo brasileiro deparou com um país considerado o mais competitivo do mundo; que figura entre as nações com os maiores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); listado como o segundo melhor em ensino superior, além de liderar o ranking mundial de talentos e inovação. Sem falar que foi apontado como o país mais feliz do mundo, entre tantos outros indicadores que colocam a Suíça como um dos melhores países do mundo. A Suíça deixou a sensação que temos tudo para ser, mas ainda não somos.

3ª LIÇÃO: UM MAIS UM É SEMPRE MAIS QUE DOIS

O Fórum Econômico Mundial sinalizou os rumos da economia e do comércio mundial, mas deixou algumas interrogações a respeito de quando todos os países estarão inseridos na Globalização 4.0. O fato é que o Brasil tem um forte potencial para figurar entre esses países cuja Quarta Revolução Industrial já é uma realidade.

Já lembrava o cantor Beto Guedes, na canção o Sal da Terra, que “(...) vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois”. Ou seja, o Fórum não é apenas um espaço aberto para discussões e encontro de empresas e governos. Em sua essência, o Fórum em Davos mostrou a necessidade de envolvimento do maior número de países para fazer a globalização ser, de fato, uma realidade para mais pessoas. Afinal, fazer parte dessa nova ordem mundial traz ganhos não só para aquele país, em específico, mas também traz reflexo para os demais.

Diante dessas três lições fica-nos claro a importância que o Brasil precisa dar a eventos globais como o que aconteceu em Davos. Caminhar na mesma direção de outras economias é, portanto, o ponto de convergência entre o desenvolvimento sustentável do país e a expectativa que se cria no mundo a partir daí.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MIGALHAS. A Quarta Revolução Industrial e seus possíveis efeitos no direito, economia e política. Disponível em <https://www.migalhas.com.br/arquivos/2018/4/art20180427-05.pdf>. Acesso em 24 Fev. 2019
FECOMERCIO. A Quarta Revolução Industrial e um novo capítulo do desenvolvimento humano. Disponível em: <http://www.fecomercio.com.br/noticia/quarta-revolucao-industrial-e-um-novo-capitulo-do-desenvolvimento-humano-diz-thomas-philbeck>. Acesso em 24 Fev. 2019
G1. Tudo sobre a Suíça. Disponível em: <https://g1.globo.com/tudo-sobre/suica/>. Acesso em 24 Fev. 2019
___. Veja a íntegra do discurso de Bolsonaro em Davos. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/22/veja-a-integra-do-discurso-de-bolsonaro-em-davos.ghtml. Acesso em 24 Fev. 2019

Franciney Carvalho é graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelas Faculdades Promove e pós-graduado em Logística pela UNA. Professor de Comércio Exterior nos cursos de Administração, Logística e Contabilidade no Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional – CEFAP.




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