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Estamos em uma janela de oportunidade para investir em Renda Variável? / Coluna / Olliver Pedroso / Economia e Investimentos

As quedas recentes na bolsa de valores brasileira somado a um dos piores momentos da indústria de fundos de investimentos em ações no Brasil, podem estar abrindo uma oportunidade para os investidores com perfil agressivo.

Foto: Gráfico 1 - Média do P/L da Bolsa BrasileiraFoto: Gráfico 1 - Média do P/L da Bolsa Brasileira

Segue abaixo alguns fatos econômicos que aconteceram de 2020 até agora:

  • Taxa de juros no Brasil (Selic) de 2% para 13,25% (já é projetado 13,75% no dia 03/08/2022)
  • Taxa de juros nos EUA de 0% para uma banda entre 1,5% e 1,75%
  • IPCA de 4,5% para 11,7% (acumulado de 12 meses).

Além desses fatores, segue abaixo o gráfico contendo a média do P/L da bolsa brasileira nos últimos anos. Este é o nível mais baixo desde a crise de 2008.

O mundo passou de uma inflação momentânea, causada pelo início da Pandemia do Covid, para uma inflação mais duradoura, agravada ainda mais com a Guerra Rússia-Ucrânia e a necessidade de cortar os estímulos monetários no mundo inteiro.

O que trouxe estas condições de juros alto e inflação alta? Resumidamente: governos do mundo todo injetaram dinheiro nas economias, através do corte de juros e auxílios emergenciais. Com o dinheiro em abundância, tudo subiu, de ações a criptomoedas, de commodities a obras de arte.

A valorização de muitos ativos parecia não ter fim, porém o choque entre demanda e oferta chegou. Conclusão: falta de diversos produtos necessários as cadeias produtivas (semicondutores foram os mais famosos) e a guerra no leste europeu afetando o já tumultuado mercado de commodities energéticas trouxeram inflação ao mundo todo.

 O mundo nunca presenciou um estímulo fiscal e monetário tão intenso e em tão pouco tempo. Por mais que não saibamos o que virá a seguir, momentos como este, costumam abrir grandes oportunidades. E já é possível perceber isso na bolsa brasileira, graças a um fenômeno que está acontecendo com os fundos de ações: Resgate massivo das cotas dos fundos.

No 1º semestre de 2020 foram resgatados R$49,5bi dos fundos de ações. O motivo desses resgates é que a alta de juros dos títulos de renda fixa tem sugado dinheiro das aplicações em renda variável, como os fundos de ações. Esses resgates em massa têm provocado uma “venda forçada” nos fundos, isso ocorre quando o gestor do fundo precisa se desfazer de uma ação para poder atender a solicitação de resgate dos cotistas, ou seja, o gestor não vendeu a ação porque ela deixou de ser um bom investimento (o que justificaria a venda do ativo), mas sim porque ele precisou de recurso para dar ao cotista que solicitou o resgate.

Imagine os saques sendo realizados ao longo dos meses, como mencionado, somente no 1º semestre foram R$49,5bi em resgates. Dado esse alto volume de resgate, os fundos podem ser obrigados a vender ações de menor liquidez. Quando uma grande quantidade de ativos de baixa liquidez é vendido o resultado são quedas acentuadas no valor do ativo, ou seja, o valor da ação deprecia muito mais do que deveria (lei da oferta e demanda).

Empresas menores, portanto, com menor liquidez do que as Blue Chips da Bolsa do Brasil, porém com excelentes fundamentos, desvalorizaram muito mais do que deveriam. As ações não caíram somente por causa da pressão vendedora dos fundos, mas o fato é que estamos encontrando grandes casos de assimetria na bolsa, onde é possível comprar empresas boas a um bom preço.

O gráfico 1 colabora com essa tese, afinal estamos em condições históricas muito atrativas para um P/L abaixo de 6 vezes. Resumidamente o indicador de Preço / Lucro de 6 vezes, determina que as empresas precisam de 6 anos para se pagarem somente com os lucros de suas operações. Logo quanto menor esse indicador, melhores são as condições para se aplicar nas empresas. Atualmente estamos no menor nível desde 2008, incluindo o auge do Covid em 2020.

Importante salientar que as ações podem sofrer uma desvalorização maior ou simplesmente ficarem baratas por um tempo. Conheça a sua aptidão a riscos em bolsa e planeje bem sua independência financeira. Procure um assessor de investimentos para auxiliá-lo neste caminho.