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Clubes não querem mudança no Brasileirão / Coluna / Álvaro Vilaça / Tempo Esportivo

Divulgada em fevereiro, a tabela do Brasileirão previa o início da competição no primeiro fim de semana de maio. Essa programação já não faz mais sentido em um cenário de paralisação do futebol nacional em função da pandemia do coronavírus, mas não há dúvidas de que o regulamento será mantido, com a disputa de 38 rodadas. E o fortalecimento dessa posição tem motivação especialmente financeira.

Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução

Os 20 clubes participantes do Brasileirão, contudo, seguem unânimes no que diz respeito à manutenção do sistema de pontos corridos, implementado em 2003.

Essa possibilidade de fim tardio foi fator fundamental a levar os clubes a concederem férias aos elencos em abril, decisão ampliada na última semana, quando os 40 times das séries A e B deram mais dez dias de recesso aos jogadores - o período inicial era de 20 -, com a retomada das atividades previstas apenas para maio.

O apego dos clubes ao regulamento tem razão além da meramente esportiva. Afinal, em um cenário de perda de receitas com bilheterias, patrocinadores e programas de sócio-torcedor, cresce em importância o valor a ser auferido com o contrato pelos direitos de transmissão. Reduzir o Brasileirão significaria renegociação e diminuição dos ganhos com um acordo que sempre foi importante para as finanças dos clubes e agora se torna ainda mais fundamental.

O problema é que para o Brasileirão ser reajustado ao calendário, outras mudanças serão necessárias. Quando o futebol nacional parou, os campeonatos estaduais e regionais, caso da Copa do Nordeste, ainda estavam em disputa, assim como a Copa do Brasil, a Copa Libertadores e a Sul-Americana.

Mudar o formato de disputa dos Estaduais seria a mais óbvia. E embora a ideia principal seja concluir as disputas, que deverão ser retomadas assim que houver condições seguras, até por demandar deslocamentos menores, alguns times defendem alterações caso esses torneios prejudiquem o Brasileirão em turno e returno.

Assim, com pretensão de não reduzir drasticamente os jogos, uma tendência pode ser espremê-los no calendário, diante do tempo perdido das últimas semanas. Há, porém, limitações para isso, como a determinação que exige um espaçamento de 66 horas entre uma partida e outra. Os clubes que aceitam a redução desse prazo ressaltam que isso só será possível com a anuência de autoridades médicas e dos próprios jogadores.

Há também a preocupação que essa medida extrema aumente a disparidade entre os clubes, favorecendo os que possuem elencos mais numerosos e qualificados. "Acredito que culturalmente os nossos atletas não estão acostumados a isso e eu entendo como sendo uma atitude totalmente 'antifisiológica', por ser um intervalo muito curto para um desgaste muito grandes que os atletas têm durante os jogos. É uma atitude antidesportiva e alguns clubes de maior elenco poderiam ser beneficiados", avaliou Marcelo Almeida, presidente do Goiás.

 

Arena do Galo sai, finalmente, do papel

As obras para a construção da Arena MRV começaram nesta semana. Em postagem no Twitter, o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, exibiu um vídeo com trator iniciando o processo de terraplanagem no local do futuro estádio alvinegro, no bairro Califórnia, na Região Noroeste de Belo Horizonte, e celebrou a data ‘histórica’.

“Marco zero, 20 de abril, dia histórico para o Atlético. Que honra presenciar o primeiro dia de obras do nosso estádio, nosso terreiro, nossa Arena MRV. Vai para cima deles, trator", postou o dirigente.

O estádio do Atlético terá capacidade para 46 mil torcedores. A previsão é de que as obras tenham duração de até 30 meses, o que permitirá a inauguração no fim de 2022.

A intenção do Atlético era começar as obras da Arena MRV em fevereiro, mas a crise do coronavírus atrasou o processo.

A Arena MRV foi orçada inicialmente em R$ 410 milhões, sem contar o valor de R$ 50 milhões do terreno, que fora doado pela construtora.

Para viabilizar o estádio, o Galo negociou 50,1% do shopping Diamond Mall para a Multiplan por R$ 250 milhões. Com correções monetárias de quase 20%, a quantia chegou a R$ 296,8 milhões em janeiro de 2020.

Os R$ 160 milhões restantes serão obtidos por meio de naming rights com a própria MRV (R$ 60 milhões) e venda de cadeiras cativas - R$ 100 milhões, com 60% já garantidos pelo banco BMG.

A Racional Engenharia conduzirá as obras da Arena MRV, que será estádio multiuso e contará com 40 bares, 68 camarotes e 2.400 vagas de estacionamento.

 

Campeonato Mineiro será decidido dentro de campo

O Campeonato Mineiro vai terminar dentro de campo. É o que garante o diretor de competições da Federação Mineira de Futebol, Leonardo Barbosa. Segundo ele, um protocolo para retomada dos jogos e treinos está também sendo planejado pela entidade, mas o modo como as competições serão terminadas, em termos de formato, ainda é uma incógnita. A volta dos jogos com portões fechados é inevitável.

De acordo com o cartola, não existe a menor chance de acontecer um encerramento agora. Primeiro, porque o campeonato tem que acabar no campo. Segundo porque envolve um milhão de coisas ligadas aos aspectos financeiros. Futebol é um negócio, e um negócio milionário. Tem as cotas de TV e agora, como vai ser a adequação do calendário, depende da Fifa, Conmebol, CBF e com as Federações.

Barbosa disse que não há, neste momento, nenhuma negociação sobre mudança de formato das competições, seja ela estadual ou nacional.

- Hoje não existe nenhuma conversa de se alterar fórmula de campeonato, porque tem muita coisa envolvida, cota de TV, patrocínio. Nós vamos encerrar os campeonatos, e o Brasileiro vai acontecer do mesmo jeito. Mata-mata, turno único, nada disso. Tem muita coisa por trás.

A questão de recomeçar as competições com portões fechados é inevitável, na opinião do diretor de competições.

- Eu acho que portão fechado é inevitável, porque, assim, o que estão falando de aglomeração de show, de eventos com aglomeração é para agosto ou setembro. Se a gente tiver que aguardar agosto, setembro, aí de fato você vai inviabilizar o calendário. É um caminho sem volta!

Álvaro Vilaça é formado em Comunicação Social e Marketing, apresentador de TV, ex-narrador e ex-repórter esportivo da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, Diretor de Programação e Coordenador de Esportes da Rádio Eldorado e do Jornal Hoje Cidade. Também é o responsável pela coluna de Esportes do Jornal Notícia e é professor de Negociação, Compras e Marketing das Faculdades Promove de Sete Lagoas. Pós-Graduado em Administração e Marketing.




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