Quatro meses após ser detido pela Polícia Federal (PF) com R$ 500 mil em espécie, o empresário Renildo Evangelista Lima garantiu um contrato de R$ 15,8 milhões com o Ministério da Saúde. O acordo, firmado em janeiro deste ano, tem validade de 12 meses e prevê serviços de transporte aéreo para o Sistema Único de Saúde (SUS) na Terra Indígena Yanomami, localizada no Norte do país.
Renildo, que foi preso sob acusação de compra de votos, é dono da Voare Táxi Aéreo e casado com a deputada federal Helena Lima, conhecida como “Helena da Asatur”. Eleita por Roraima pelo MDB, partido que compõe a base do governo Lula na Câmara, a parlamentar mantém uma relação próxima com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), e com a ex-ministra Nísia Trindade, que ocupou o cargo até fevereiro deste ano.

Ministério da Saúde mantém silêncio sobre o caso
Procurado para comentar o contrato, o Ministério da Saúde não se pronunciou. Já a Voare Táxi Aéreo defendeu-se, alegando que a operação da Polícia Federal, que resultou na apreensão dos R$ 500 mil e na prisão de Renildo e outras cinco pessoas, teria sido “ilegal”.
Deputada recebeu doação milionária do marido
Durante sua campanha, Helena da Asatur declarou um patrimônio de R$ 10,9 milhões, incluindo 10% de participação na Voare. Ela recebeu 10.742 votos e contou com R$ 350 mil em doações eleitorais feitas pelo próprio marido.
Atualmente, o Ministério da Saúde é o principal cliente da Voare dentro do governo federal, com contratos ativos que somam R$ 164 milhões. Além disso, a empresa também mantém um acordo de R$ 46 milhões com a Funai, vinculada ao Ministério da Justiça, assinado em junho de 2024, pouco antes da prisão de Renildo. O Ministério da Defesa, por sua vez, possui contratos menores, na ordem de R$ 1 milhão.
No total, a Voare já recebeu R$ 610,6 milhões da União, além de R$ 11,5 milhões em isenções fiscais e R$ 3,1 milhões provenientes de emendas parlamentares. Desde que Helena da Asatur assumiu o mandato em 2023, a empresa fechou 17 contratos com o governo federal.
Defesa alega perseguição
Em nota, a Voare afirmou que Renildo Evangelista Lima obteve decisão judicial favorável, garantindo sua liberdade, e apresentou toda a documentação necessária para comprovar que a ação da Polícia Federal foi irregular.
O Ministério da Saúde ainda não se manifestou sobre o caso.
com informações do Portal Metrópoles