“Quando passei naquela vitrine, foi irresistível: tinha que ser meu! Parcelei em 10X no cartão.
As parcelas foram baratinhas, cabiam no meu bolso. Mais à frente, senti que faltava outro objeto para completar a beleza do anterior e lá estava eu: comprando mais algo parcelado. De repente, o boleto chegou.”

Quando o boleto chegou, essa pessoa percebeu que comprou mais do que devia, que o valor do cartão é maior do que se ganha e agora, todo aquele frenesi passou, pois o objeto já não tem o mesmo valor de antes, o desejo se foi e restou um resto de dívida consigo por ter comprado sem tanta necessidade.
É assim que muitos brasileiros se endividam e acabam entrando em uma bola de neve de problemas, devido às consequências de hábitos ruins ou por projetarem antigos desejos não realizados em objetos que realmente não seriam necessários agora.
Com essa leve introdução, passo para trazer um breve questionamento: o que mais te atrai é a vitrine da loja, o objeto a ser comprado ou uma compulsão por ter o que não se precisa em nome de atender e recobrir antigas frustrações por objetos não ofertados em sua infância?
O que compramos em excesso não entra somente no cartão. Entra na conta da ansiedade, da briga conjugal por ter tirado dinheiro da construção para pagar o boleto. Entra também na sua insônia e na gastrite adquirida no último mês. Ora, ora! Então devo deixar de comprar?
Não exatamente! É preciso olhar para si e, se preciso, para a descrição do boleto e entender quais são os verdadeiros motivos das compras exageradas e em excesso. Os excessos podem esconder faltas, dores, frustrações e até comportamentos competitivos pela mera vaidade de ter mais que o outro.
Ter também é importante, contudo, onde fica o Ser a partir do momento em que esse ser está lotado somente de objetos perecíveis que, por sua vez, fazem com que pereçam também as forças, o dinheiro e as relações de quem “passou da conta”?
Uma pequena sugestão é sair com seu cartão de crédito quando realmente tiver um planejamento para utilizá-lo. Ops… eles também estão nos celulares de forma online para usar, detalhe!
Saúde mental também está envolvida com a vida financeira. Aliás, muitas pessoas ficam transtornadas quando são pegas de “surpresa” pelas contas não contabilizadas, e isso pode ser um gatilho para picos de ansiedade e estresse, podendo até culminar em depressão se for somado a outros problemas presentes, tanto familiares quanto das noites de preocupação sem dormir, juros que só aumentam e a cabeça se inflama pelo ato de ter passado o cartão sem pensar.
Saúde mental é um conjunto de fatores. Talvez seja o momento de repensar sobre o que você compra, pois o preço posterior a pagar não tem preço.
Não se pode dividir a vida, saúde e família no cartão. Pense sobre isso!
Antes de comprar, pergunte-se: eu preciso? Eu posso? Eu compro para mim ou para provar algo para alguém?
E se não mudar, talvez seja hora de buscar ajuda profissional.
Juliana A. M do Canto, psicóloga.
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