O Banco Master, atualmente em processo de negociação para ser adquirido pelo Banco Regional de Brasília (BRB), tem como representante jurídico o escritório Barci de Moraes, onde atuam Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e seus filhos, Giuliana e Alexandre.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, Viviane participa de um número reduzido de ações para o banco, mas os detalhes sobre a natureza desses casos e o valor dos honorários pagos ao escritório não foram revelados.

Banco Master e suas ligações com o STF
O balanço financeiro divulgado pelo Banco Master mostra que a instituição possui R$ 7,6 bilhões em papéis com vencimento entre janeiro e junho de 2025, além de R$ 8,7 bilhões em precatórios — um tipo de título de dívida frequentemente envolvido em disputas judiciais que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, o banco está envolvido em uma ação contra a União, relacionada à cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O processo está sob a responsabilidade do ministro Gilmar Mendes, o integrante mais antigo da Corte.
O nome de Viviane Barci de Moraes não aparece nos autos do processo, segundo o jornal. No entanto, o escritório Barci de Moraes tem atualmente 30 processos ativos no STF.
Participação em eventos jurídicos
O Banco Master foi um dos patrocinadores do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em abril de 2024, em Londres. O evento contou com a presença de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Durante a conferência, eles ficaram hospedados no luxuoso hotel The Peninsula, onde as diárias ultrapassam R$ 6 mil.
Até o momento, Moraes não esclareceu se teve despesas pagas pelo Banco Master, como passagens aéreas e hospedagem, nem comentou se há um possível conflito de interesse em participar de eventos patrocinados por uma instituição que contratou sua esposa.
Além do escritório de Viviane, o Banco Master também firmou contrato com Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e atual titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Logo após sua aposentadoria da Suprema Corte, em 2023, Lewandowski passou a integrar o conselho estratégico do banco, recebendo um salário superior a R$ 100 mil por mês.
Outro nome ligado ao banco é Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma Rousseff, que atua como consultor estratégico desde 2024. Segundo apuração do jornal, Mantega chegou a levar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para um encontro com o presidente Lula, no Palácio do Planalto.
Venda do Banco Master para o BRB
A divulgação dessas informações ocorre em meio ao processo de aquisição do Banco Master pelo BRB, anunciado no dia 28 de março. O negócio foi avaliado em aproximadamente R$ 2 bilhões e aprovado por unanimidade pelo conselho de administração do Banco de Brasília.
Pelo acordo, o BRB comprará 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto). Antes da conclusão da operação, será realizada uma reorganização societária, separando ativos e passivos não estratégicos da instituição.
Relações familiares e influência no Judiciário
O envolvimento de familiares de ministros do STF com grandes escritórios de advocacia não é um fato isolado. Em 2023, a Suprema Corte decidiu que seus próprios membros podem julgar casos envolvendo clientes de escritórios de parentes, desde que o nome do ministro ou do parente não conste diretamente nos autos.
Essa mudança beneficiou diversos advogados ligados a ministros do STF. Entre eles, Viviane Barci de Moraes (esposa de Alexandre de Moraes), Karine Nunes Marques (irmã de Kassio Nunes Marques) e Maria Carolina Feitosa (enteada de Gilmar Mendes), que passaram a atuar em processos de grande relevância, incluindo disputas empresariais e casos derivados da Operação Lava Jato.
A proximidade entre advogados e juízes levanta questionamentos sobre conflitos de interesse e influência no Judiciário, tema amplamente debatido por especialistas. Em 2023, a ex-ministra do STJ, Eliana Calmon, comentou o assunto, afirmando que há uma “divisão familiar” dentro do Judiciário, onde “as esposas ficam com o poder econômico nos escritórios de advocacia, enquanto os maridos detêm o poder político dentro dos tribunais.”
com informações de O Antagonista