De acordo com informações obtidas pela EXAME, a Apple está analisando a possibilidade de aumentar a produção de iPhones no Brasil para evitar as taxas de importação recentemente anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. O país se tornou uma opção viável devido às tarifas menores aplicadas pelos EUA, que atualmente estão em 10%.

Atualmente, grande parte da produção de iPhones ainda vem da China, o que pode resultar em um aumento de até 40% no preço final para os consumidores americanos. A Índia, que dobrou sua produção entre 2024 e 2025 e se tornou um polo importante para a Apple, também foi afetada, com uma taxa de 26% aplicada a partir de 5 de abril.
Com os Estados Unidos representando o maior mercado para a empresa, a Apple enfrenta um dilema: absorver os custos e reduzir seus lucros ou repassar os aumentos aos consumidores, o que poderia afetar as vendas. Especialistas consultados pela Reuters e pela Counterpoint Research estimam que os preços dos iPhones podem subir entre 30% e 40%.
A incerteza em torno das tarifas já impactou o mercado financeiro, resultando em uma queda de mais de 8% no valor das ações da Apple — o pior desempenho desde setembro de 2020.
Produção no Brasil pode ganhar força
A ampliação da montagem de iPhones em Jundiaí vem sendo estudada desde o ano passado, com investimentos em modernização de equipamentos e processos industriais. A Foxconn já monta no Brasil os modelos básicos do iPhone 13, 14 e 15, além de ter recebido recentemente autorização da Anatel para fabricar o iPhone 16.
No entanto, essa autorização se restringe ao modelo convencional, enquanto as versões mais avançadas, como o iPhone 16 Pro e Pro Max, ainda são importadas. Caso a Apple precise redistribuir sua produção global para reduzir custos tarifários, a fábrica brasileira pode ganhar um papel mais relevante.
Embora a Foxconn no Brasil opere com incentivos fiscais, a produção local nunca gerou uma redução expressiva nos preços dos iPhones vendidos no país. Assim, a empresa pode adotar uma nova abordagem: transformar o Brasil em um centro de montagem para exportação aos Estados Unidos, aproveitando a vantagem das tarifas mais baixas.
Brasil pode se tornar peça-chave na logística global
Um relatório da Counterpoint Research sugere que o aumento das tarifas pode obrigar a Apple a rever sua estratégia de longo prazo na Índia. Caso as taxas mais elevadas permaneçam, isso pode impactar a demanda nos EUA, abrindo espaço para o Brasil como uma solução alternativa.
A decisão final dependerá da capacidade da fábrica de Jundiaí de assumir uma produção maior sem comprometer prazos, eficiência logística e qualidade dos dispositivos. Além disso, analistas indicam que a Apple pode explorar outras opções, como a exportação a partir de países com tarifas reduzidas ou negociações diretas com o governo americano para isenções.
com informações da Revista Exame