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Quase metade dos adolescentes não está com as vacinas em dia

O ano de 2018 foi tão conturbado na vida da professora Priscila Florenzano, 39, que ela acabou se esquecendo de levar a filha Manuela, 11, para tomar a segunda dose da vacina contra o HPV – o papilomavírus humano causador de cânceres e verrugas genitais. No Brasil, praticamente metade dos adolescentes não está devidamente imunizada contra esse vírus: apenas 51% das meninas (de 9 a 14 anos) tomaram a segunda dose de HPV. Entre os meninos (de 11 a 14 anos), essa taxa é ainda menor: 22%.
Em Minas Gerais, cerca de 54% das meninas (de 9 a 14 anos) e só 35% dos meninos (de 11 a 14 anos) receberam duas doses da vacina contra o papilomavírus humano, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

A professora Priscila se programa para atualizar o cartão de vacina da filha Manuela, 11 — Foto: Flávio TavaresA professora Priscila se programa para atualizar o cartão de vacina da filha Manuela, 11 — Foto: Flávio Tavares

A vacina contra o HPV, assim como a meningocócica C, é ofertada, segundo o Calendário Nacional de Vacinação, somente nessa faixa etária. Já outras vacinas precisam de reforço na adolescência. Entretanto, os dados bem abaixo da meta de imunização – 80% da população no caso do HPV – mostram que a vacinação de jovens meninas e meninos ainda precisa ser incentivada no país.

A estimativa para o biênio 2018/2019, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), para casos novos de câncer de colo do útero é de 890 para Minas Gerais, sendo 150 em Belo Horizonte. Ainda não existe cálculo para 2020/2021.

Um estudo feito no Brasil em 2007 estima que a vacinação de 70% das meninas contra o HPV antes dos 12 anos, combinada com ao menos três exames Papanicolau em mulheres de 35 a 45 anos, preveniria 100 mil novos casos de câncer, reduzindo o risco da doença na vida das mulheres em 61%.

Meningite

Sobre a vacina meningocócica C (que previne doenças como a meningite), o Ministério da Saúde informou que a imunização deve ser feita em dose única ou como reforço, dependendo da situação vacinal anterior, em adolescentes de 11 a 14 anos. De 2016 a 2019, a cobertura vacinal nessa faixa etária está em 52,7% no Brasil e em 66,4% em Minas Gerais.

Já segundo a SES-MG, de 2017 a 2019, a vacina meningocócica C (conjugada) apresenta uma cobertura vacinal de 49,59% entre os jovens de 11 a 14 anos. No ano passado, Minas Gerais registrou 949 casos de meningites e 117 mortes, além de 67 casos de doença meningocócica (infecção bacteriana aguda) e 23 óbitos.

Agora, Priscila se programa para fazer a atualização do cartão de vacina da filha enquanto ela ainda não retorna às aulas. “A minha filha tomou a primeira dose da vacina de HPV em janeiro de 2018 e deveria ter retornado em julho para tomar a segunda dose. Só que, em seguida, minha mãe faleceu. Tivemos um monte de problemas, e esqueci. Vou levá-la ainda nestas férias”, diz.

Com O Tempo




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