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Brasil é o 2º maior consumidor de produtos pets do mundo

Quanto você estaria disposto a gastar com o seu animal de estimação? Em torno de 20% a 25% da renda anual da analista Letícia Drummond e de seu marido é destinada aos dez cachorros que eles têm em casa, na área rural de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. E não é apenas o casal que é apaixonado pelos animais. O brasileiro ama tanto o seu pet que o país é o segundo maior mercado do mundo, só perdendo para os Estados Unidos.

Oferta. Bruno Rodrigues é dono de uma loja de produtos para pets na capital mineira e diz que a concorrência está crescendo ano a ano - Foto: Flávio TavaresOferta. Bruno Rodrigues é dono de uma loja de produtos para pets na capital mineira e diz que a concorrência está crescendo ano a ano - Foto: Flávio Tavares

O varejo pet nacional movimentou no ano passado R$ 34,4 bilhões, alta de 4,6% frente a 2017, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB). O setor representa 0,36% do PIB, fatia grande o suficiente para superar os segmentos de utilidades domésticas e de automação industrial.

Entre os gastos com os pets de Letícia e seu marido estão as vacinas, compra de ração, remédios, consultas aos veterinário e até mesmo eventuais cirurgias. “Algumas coisas chegam a ser mais caras que as dos seres humanos. No caso de banho e tosa, eu só levo um dos cachorros, o que tem um pelo que embola muito, na pet shop. Nos demais eu mesmo dou banho para economizar”, diz. Ela conta que há cerca de oito anos eram três cachorros. Número que foi subindo ao longo dos últimos anos. “Hoje, eles são todos resgatados”, observa.

Letícia afirma que os gastos subiram neste ano. “O que teve a elevação mais expressiva foi o de banho e tosa, por volta de 20% a 30%. A medicação ficou 10% mais cara. A ração de 20 quilos passou de R$ 120, R$ 125 para R$ 145”, calcula.

Em Belo Horizonte, levantamento do site Mercado Mineiro analisou o preço cobrado por diversos serviços em pet shops e clínicas. A alta chega a 8,33%, na comparação de junho de 2019 frente igual mês do ano passado.

A elevação é superior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). Nos últimos 12 meses, a variação na capital chega a 4,66%, até a segunda quadrissemana de junho de 2019. O IPCA da cidade de Belo Horizonte mede a evolução dos gastos das famílias com renda de um a 40 salários mínimos.

O aumento de 8,33% verificado pelo site Mercado Mineiro é referente ao preço da vacina antirrábica, que custava em média R$ 43,56 no sexto mês do ano passado e subiu para R$ 47,19 neste mês.

O Mercado Mineiro também compara o preço entre os estabelecimentos. Um banho em um cão de 10 a 15 quilos com pelo longo pode custar de R$ 29 a R$ 90, o que representa uma variação de 210%.

Disputa entre sete lojas em 500 metros

O aumento da concorrência e o receio de perder clientes estão fazendo com que muitos donos de pet shops evitem repassar o aumento dos custos. “O banho para animais de até 10 quilos foi mantido por R$ 25 durante dois anos. Hoje, o valor cobrado é de R$ 30. Só que se fosse repassar tudo, o valor era para estar na casa dos R$ 35”, diz o dono da pet shop Lar & Cão, Rodrigo Santos. O motivo para frear o aumento nos preços é a concorrência cada vez maior.

De acordo com ele, nas proximidades do seu estabelecimento, que está no mercado há cinco anos, tem sete pet shops. “Isso a 500 metros da minha loja. Quando comecei, eram duas concorrentes”, conta. A empresa de Santos fica localizada no bairro Floresta. De acordo com ele, os custos, como gastos com água e energia vêm aumentando e impactando de forma negativa no negócio. “Tive que mandar um funcionário embora”, diz.

Situação parecida acontece na pet shop Bichos e Caprichos, no bairro Buritis, na região Oeste da capital. “Quando acontece o repasse é pouco, mínimo, não é integral. Não dá para cobrir todos os aumentos nos custos”, diz o proprietário do estabelecimento, Bruno Soares Rodrigues.

Ele conta que em 2018 deixou de fazer os repasses. “Se eu fosse fazer o repasse do banho, o aumento era para ser de 15%, só reajustei em 5%, o que deu R$ 2 a mais. Só que eu tenho que manter meu preço compatível com os concorrentes”, observa. O empresário conta que somente o aluguel leva 15% do seu faturamento. “É o meu maior custo. E ainda tem o aumento de água e energia”, reclama.

Em dez anos de atividade, Rodrigues viu a concorrência aumentar. “Antigamente, eram umas seis pets shops na região. Agora, são mais de dez”.

Com O Tempo




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