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Transgênero de Sete Lagoas tem seu nome alterado oficialmente nos documentos

Eliezer Moreira de Carvalho agora é legalmente Isabella Racca Moreira de Carvalho. O processo de troca do nome aconteceu aqui mesmo em Sete Lagoas, na sua cidade natal. A Redação do SeteLagoas.com.br recebeu Isabella, que em entrevista, contou um pouco sobre sua vida e sobre esse processo de mudança. Confira:

Foto: Filipe FelizardoFoto: Filipe Felizardo

SUA HISTÓRIA

Desde criança algo diferente era percebido, Isabella já se sentia mulher, afirmou a transgênero. Ela conta que não sofria preconceito na escola, nem dos amigos e vizinhos, porém, na sua adolescência enfrentou brincadeiras sem graça e piadas, mas diz não considerar bullying, pois nada disso lhe incomodava ou atingia.

Isabella disse que na época teve problemas para conseguir emprego na cidade. Ela relata que era uma das melhores alunas do colégio e havia passado em um programa de estágio de um banco. Porém, não foi aceita por preconceito de cor, aparência e por seu jeito de ser.

Segundo Isabella, sua mãe é uma pessoa muito especial em sua vida e sempre a compreendeu dando total apoio. Ela conta que apesar disso, teve sérios problemas em família, principalmente com seu irmão, por isso saiu de casa cedo. Com 17 anos de idade, saiu de casa e morou cinco anos na cidade de Papagaios, onde organizava eventos, era colunista social e famosa cabelereira. Isabella diz que deve muito à essa cidade de coração e principalmente aos apoios que teve por lá, como o prefeito da época Joaquim Teodoro e as famílias Chaves, Valadares, Bahia, Reis, Vasconcelos e Figueiras.

Isabella possui grandes amigos e parcerias fortes, como o amigo de infância Geanfrank Fonseca que a apresentou Nicolau Neto e ambos na época a inseriram no meio artístico e na produção de desfiles e eventos da região. Ela exalta que por todos os caminhos onde passou, sempre encontrou pessoas do bem que a ajudaram bastante.

Por volta dos seus 22 anos, a convite de uma de suas clientes de cabelo, Isabella foi passear no Rio de Janeiro e conheceu um rapaz que a convidou para ficar um tempo na Itália. Ela não pensou duas vezes e foi. Inicialmente a ideia era ficar lá por 6 meses, período da duração de um curso que participou. Contudo, ela ficou nada mais nada menos que 9 anos.

Hoje Isabella possui cidadania italiana, teve um restaurante por dez anos no país e fala fluentemente seis línguas. Atualmente é coreógrafa e organizadora de eventos em Lugano, na Suíça.

Foto: Filipe FelizardoFoto: Filipe Felizardo

PROCESSO DE ALTERAÇÃO DO NOME NOS DOCUMENTOS

Com o desejo de legalizar a mudança, Isabella Racca junto a seu advogado Álvaro Moreira da Rocha, entraram com pedido de Retificação ou Suprimento ou Restauração de Registro Civil, ou seja, troca de nome e sexo.

Esse procedimento deveria acontecer na cidade natal de Sete Lagoas, por isso, depois de tudo encaminhado, ela resolver voltar ao Brasil para resolver de vez essa burocracia.

Quando saiu a sentença favorável, dois dias antes, saiu a lei do Brasil que todos podem trocar de nome, mas Isabella garante que não é simples assim. O processo não foi rápido nem fácil. Foi necessário o depoimento de algumas testemunhas, além de ter sido obrigatório anexar ao pedido, um álbum fotográfico ilustrando todas as fases da sua vida, laudo psicológico e médico de inclusive cirurgiões da Itália e do Brasil, que a atenderam.

Além disso, Isabella precisou provar que é uma pessoa idônea, por isso foi obrigatório a apresentação de alguns documento, por exemplo, a certidão de nada consta. A coreógrafa exaltou a Sala 203 do Fórum, da 2ª vara. Segundo ela, eles foram muito educados, atenciosos e ajudaram a acelerar o processo.

Na última semana saiu a certidão oficial da troca de nome.

A vitória ainda não está totalmente ganha. Isabella precisará de uma tradução juramentada em italiano e quando chegar na Itália vai precisar entrar com a prática de troca de certidão no país e com isso trocar todos os documentos lá também. Quando esse processo terminar na Itália é a vez de fazer tudo isso na Suíça, onde reside atualmente.

Isabella garante que essa mudança é de suma importância na vida de um transgênero principalmente brasileiro. Segundo ela, na Suiça, ela não passa constrangimento algum, que mesmo o nome sendo masculino, a tratam pelo nome social.

Bárbara Nunes e Bárbara Teixeira




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