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Criação de parque natural em Sete Lagoas está indefinida

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Foi realizada na última semana na Câmara, a segunda audiência pública que discutiu a proposta de criação do Parque Natural da Lagoa da Chácara. O assunto promete render nova consulta pública, visto que ao final da audiência pouco foi definido. De novo, apenas a criação de uma comissão consultiva composta por proprietários do terreno, vereadores, representantes de ONG, do Executivo e da Associação do Bairro Jardim Arizona para aprofundar no tema. A solução apontada pela Prefeitura Municipal seria a desapropriação da área. No entanto, o alto valor do terreno é inviável para os cofres públicos. Em entrevista ao SETE DIAS, o proprietário da área, Flávio Araújo, afirma que a família não tem interesse em vender a mesma e que pretende apresentar em breve um projeto para o local.

Segundo Flávio Araújo, que detém os direitos sobre a única área verde do município localizada em bairro nobre da cidade, é louvável a criação do parque, desde que respeitado o direito de propriedade. “Não é nosso interesse vender o terreno. Somos a favor de um projeto que gere renda de forma sustentável para o município e também para os proprietários. Nossa intenção não é destruir, desmatar. Um futuro empreendimento no local não impediria a criação do parque natural, tamanho sua extensão. O projeto está em estudo, mas podemos antecipar que também será voltado para o lazer da população”, conta.

Situado no Bairro Jardim Arizona, na Avenida Prefeito Alberto Moura, a área intercepta a Avenida Otávio Campelo até o entroncamento com Avenida Nações Unidas, seguindo o cruzamento entre as Ruas Jair Sales com Manoel dos Santos. No município já existe Projeto de Lei, sancionado, que dispõe sobre a instituição do Bosque Municipal de Sete Lagoas na área que vem sendo objeto de discussão. De autoria do vereador Caio Dutra (PMDB), foi aprovadao em 2007. A proposta é incorporar todo o terreno da Lagoa da Chácara à Área de Proteção Ambiental (APA) Serra de Santa Helena.

Segundo o vereador Claudinei Dias, presidente da Frente Parlamentar do Meio Ambiente, a comissão vai discutir o futuro da área. As conclusões e possíveis soluções serão apresentadas em outra audiência pública a ser agendada. Já o secretário municipal do Meio Ambiente, Lairson Couto, conta que oficialmente não existe qualquer proposição para se criar um loteamento ou desmembramento no local. Segundo ele, a área é contemplada por diversas nascentes, com grande abundância de água em seu lençol freático.

Celso Martinelli

Sem controle, imóveis históricos são demolidos em Sete Lagoas

  • Categoria: Cidades
Em menos de 15 dias, dois imóveis tombados em nível municipal pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural (Compac) foram demolidos em Sete Lagoas. A licença partiu da Secretaria de Obras e Infra-Estrutura Urbana, que por sua vez não levou o pedido para ser analisado e votado pelo conselho, como determina a Lei 7.266 de agosto de 2006, que resguarda e dá tal autonomia ao mesmo. O primeiro imóvel literalmente tombado foi o histórico Armazém José Pereira da Rocha, localizado na avenida Antônio Olinto e que integra o complexo das residências no entorno do Museu do Ferroviário. O mesmo fim teve casa datada de 1946 - localizada na Avenida Cel. Altino França, orla da Lagoa Paulino - onde funcionava o ateliê do artista plástico Luciano Diniz. Assim como o armazém, foi demolido sem deliberação do Conselho do Patrimônio.
 
A presidente do Compac, Shirley Francisca da Silva Fonseca, conta que os dois imóveis estavam catalogados e o tombamento definitivo de ambos já vinha sendo pleiteado junto ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). “A função do Conselho não é vetar construções e novos empreendimentos, desde que preserve a fachada e características dos imóveis históricos. Nem isso chegou a ser discutido ou levado ao nosso conhecimento. Hoje, no complexo do Museu do Ferroviário, com mais essa perda, restam apenas duas casas da época”, conta.
 
O caso foi levado para o Ministério Público através de ofício remetido para o promotor da Curadoria do Patrimônio Público, Ernane Araújo. É proposta ação contra o município pela liberação do alvará de demolição. “Mais um bem patrimonial foi derrubado nos moldes autoritários que permearam as administrações passadas, e mais uma vez a ação da prefeitura será encaminhada ao Ministério Público. A ação do Conselho, além da luta pela preservação, é de discutir e referenciar os bens culturais, estar informado e informar as ações municipais em meio à alta pressão do mercado imobiliário de uma cidade em forte crise de identidade”, afirma Shirley Fonseca.
 
O antigo armazém foi fundado em 1914 e pertencia ao português José da Rocha, que nasceu em São Miguel do Gandra em 2 de outubro de 1887 e morreu do dia 10 de novembro de 1968. De acordo com o historiador e vereador Dalton Andrade, José da Rocha foi um grande atacadista de Sete Lagoas, ligado à vida ferroviária. “Foi um dos maiores compradores da produção rural de toda região, e vendia em Sete Lagoas, naquele imóvel. Chegou moço na cidade, foi contratado por J. Mendonça, de quem herdou a casa de comércio”, conta.
 
Segundo Dalton Andrade, os imigrantes em Minas foram poucos, em comparação com outros estados. “Mas a ferrovia atraia-os, como comprova a presença do também português José Duarte de Paiva, e os italianos Costetti e Labbattes, ao largo da ferrovia”, explica. Segundo o historiador, como é típico dos portugueses, José da Rocha atuava em irmandades de caridade em várias cidades e foi um dos principais benfeitores do Hospital Nossa Senhora das Graças. “E em nome do hospital, tinha trânsito com todas as pessoas importantes da cidade e região, como Bernardo Alves Costa e Flávio Gutierrez”, completa.
 
Mesmo fim teve residência localizada na Avenida Cel. Altino França, 100, orla da Lagoa Paulino. A residência foi vendida por herdeiros de Amantino Anélio França Diniz. “Foi a primeira casa planejada por um arquiteto em Sete Lagoas. Amantino era chofer de táxi, depois de ônibus, e teve uma casa de autopeças. Na época, em 1946, relatos contam que amigos zombavam do homem, falando que construiu sua casa na beira de um brejo, hoje o principal cartão-postal da cidade”, explica o historiador. A reportagem procurou o Secretário Municipal de Obras e Infra-Estrutura Urbana, Paulo Rogério Campolina Paiva. Após insistentes contatos, ele não se pronunciou a respeito. A assessoria da Prefeitura Municipal limitou-se a informar que o Executivo busca maior diálogo com o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural.

Celso Martinelli

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