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Coluna / Álvaro Vilaça / Tempo Esportivo / De quem é a culpa?

O início de 2019 já está marcado por terríveis catástrofes no Brasil. Embora admita a falta de alvará do dormitório onde os atletas mirins dormiam, o time do Flamengo arrumou uma saída para responsabilizar a tragédia que vitimou dez garotos e deixou todo um país de luto. Membros da diretoria do clube alegaram que problemas no fornecimento de energia elétrica, causados pelas chuvas fortes que acometeram o Rio de Janeiro ao longo da semana passada, teriam sido a provável razão para desencadear o incêndio no contêiner. “A perícia dos bombeiros nos disse que o problema começou no ar-condicionado. Uma chuva como aquelas, com ventos de mais de 100 km/h, foi quase um furacão”, disse o coordenador Reinaldo Belotti, em entrevista coletiva.

O problema, no entanto, não ocorreu apenas na hora em que o fogo começou. Em depoimentos prestados à polícia, garotos sobreviventes relataram sobre a oscilação de energia em algumas ocasiões ao longo da semana. Na noite de terça (5), o gerador ficou ligado durante toda a noite devido ao apagão de luz. Houve falta de energia elétrica também na quarta (6), o que fez pelo menos um atleta trocar de quarto.

Jogadores da base do Flamengo que sobreviveram relataram que, minutos antes de o fogo começar, houve uma explosão em um aparelho de ar-condicionado. Também segundo esses relatos, o fogo se alastrou muito rapidamente. “O ar-condicionado pegou fogo, daí foi gerando um curto-circuito em todos os aparelhos de ar-condicionado, pegando tudo. Foi muito rápido, muito rápido. Não deu para conseguir chamar quase ninguém”, relatou o zagueiro Samuel Barbosa, piauiense de 16 anos.

Agora, vai começar uma corrida para provar a inocência de todos. Provavelmente, ninguém vai assumir a culpa, nem vai dizer que foi displicente. As vidas perdidas no Ct do Flamengo e em Brumadinho não vão voltar. As famílias estão despedaçadas, mas, ainda assim, o Brasil e o mundo esperam por respostas e por punições severas aos responsáveis!

2º Tempo

E o futebol de base do Brasil escreveu mais um capítulo triste no último final de semana. De forma inacreditável, a Seleção Brasileira não evitou novo vexame na categoria Sub-20. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina foi a única no hexagonal final do Sul-Americano, e não bastou para a classificação para o Mundial da categoria, que será realizado na Polônia. Pela segunda vez consecutiva o Brasil está fora do Mundial, em um resultado que já começa a se tornar habitual.

Mais que a classificação, preocupa a total falta de perspectivas considerando o desempenho em campo: atuações individuais abaixo da crítica, e um coletivo que simplesmente nunca funcionou sob o comando do técnico Carlos Amadeu, campeão sul-americano na categoria sub-17. Contra a Argentina o cenário foi um pouco diferente dos jogos anteriores. Ao menos vimos uma vitória. Mas tudo isso graças a um gol de pênalti de Lincoln. Com a bola rolando, apesar de diversas oportunidades criadas, o Brasil foi pouco eficiente, ou poderia ter se classificado com a quarta posição pelo saldo de gols. Faltaram dois para ultrapassarmos a Colômbia, quarta colocada com os mesmos cinco pontos. O Equador foi o campeão inédito do Sul-Americano Sub-20, graças ao gol de Lincoln. A Argentina perdeu o título para o Brasil, encerrando um jogo triste para os dois lados, apenas com perdedores em campo, apesar da vitória brasileira. Ao menos os argentinos estarão no Mundial, acompanhados também de uruguaios e colombianos. A seleção nacional dá adeus, assim como a Venezuela. Aliás, até a frágil seleção venezuelana conseguiu derrotar o Brasil no torneio Sub-20.

Aí está um dos capítulos mais bizarros da história do nosso futebol de base!

Módulo II do Campeonato Mineiro começa com derrota do Democrata e desistência do Tricordiano

Foram muitas as dificuldades encontradas pelo Democrata durante o período de preparação para a disputa do Módulo II do Campeonato Mineiro, com mudanças de dirigentes, comissão técnica e grupo de jogadores. Ao todo, o Jacaré conseguiu reunir 14 jogadores regularizados para a estreia. Apesar de se superar e fazer uma boa estreia, a equipe não conseguiu colher um bom resultado. Jogando em Uberaba, o time comandado por Thiago Mancha teve boas oportunidades e até um pênalti não marcado durante a partida contra o Zebu. Em alguns momentos, o Democrata passou a impressão de que poderia voltar com os três pontos, mas acabou perdendo por 1 x 0. O gol foi de Danúbio, aos 28 minutos do segundo tempo.

O Democrata perdeu para o Uberada na estreia do Módulo II/ Foto: DivulgaçãoO Democrata perdeu para o Uberada na estreia do Módulo II/ Foto: Divulgação

Com o resultado, o Uberaba soma os primeiros pontos na competição e vai encarar na segunda rodada o América TO sábado, às 15h, em Teófilo Otoni. O Democrata recebe no mesmo dia, às 16h, o Coimbra na Arena do Jacaré.

Athletic e Democrata fizeram a abertura da primeira rodada no último sábado, em São João Del Rei. Com gol aos 45 minutos do segundo tempo, o time da casa venceu de virada, por 2 a 1; Canga Carabalí abriu para a Pantera, Bruno e Talles anotaram pelo time da casa.

Uberlândia e CAP de Uberlândia não começaram bem o Campeonato Mineiro do Módulo II e ambos foram derrotados pelo placar de 1 a 0. Jogando em Nova Serrana, em um jogo muito equilibrado, o Verdão levou um gol aos 39 minutos da primeira etapa, marcado por Dudu. Já o CAP, jogando no Estádio Parque do Sabiá, foi surpreendido pelo América de Teófilo Otoni. O gol da equipe do Vale do Mucuri foi marcado por Richard, ainda no primeiro tempo.

Em Ipatinga, sob forte calor, o Ipatinga foi surpreendido dentro de seus domínios e perdeu por 3 x 2 para o Nacional de Muriaé.

O Tricordiano faria a sua estreia em casa, diante do Serranense de Nova Serrana, mas na véspera da partida acabou desistindo da disputa, sob a alegação de falta de recursos financeiros. Com isso, todos os jogos previstos em que o Tricordiano estiver envolvido, o placar a ser lançado na tabela será de 3 x 0 para o time adversário. Com a desistência, a equipe de Três Corações está rebaixada para a Terceira Divisão Estadual e ainda fica suspensa dois anos de todas as competições oficiais de Minas Gerais.

A segunda rodada será realizada com jogos no sábado e na segunda-feira. Segue a programação completa:

Sábado (16):
15:00 – América-TO x Uberaba – Teófilo Otoni
16:00 – Democrata x Coimbra – Sete Lagoas
16:00 – Serranense x Athletic – Nova Serrana

Segunda-feira (18):
20:00 – Nacional x CAP de Uberlândia – Muriaé
20:00 – Democrata-GV x Ipatinga – Governador Valadares

Clubes mineiros buscam alternativas para se viabilizarem

Com a temporada em andamento, a maioria dos clubes já tem o orçamento para este ano e, portanto, um cenário financeiro previsto para os próximos meses. De forma extra-oficiai, os números disponíveis dos principais clubes apontam para a mesma tendência de 2018, ou seja, Flamengo e Palmeiras continuam com o status de serem os clubes mais ricos do país. É importante entender que orçamentos são previsões, portanto, sujeitos a variações que podem ser até extremas, e nem todos os dirigentes a seguem a risca. Mas, com a crescente profissionalização de parte das agremiações, já se tornaram uma referência para saber a força financeira de cada clube.

A receita prevista pelo Atlético até o fim do ano é de R$ 304,8 milhões, com despesas de R$ 302,1 milhões, resultando em pequeno superávit. Desse total, são cerca de R$ 100 milhões para gastos com pessoal do futebol, mas ressalte-se que há outras despesas com esse departamento. O Galo prevê uma receita com venda de jogadores de R$ 70 milhões, com investimento em contratações de R$ 20 milhões (não inclui ajuda de investidores na aquisição de atletas, como aconteceu no caso da vinda do zagueiro Igor Rabello, junto ao Botafogo). Desde 2018, o clube tem se reestruturado e reduzido despesas para enfrentar o endividamento alto causado por gastos excessivos em anos anteriores. Contudo, a mudança de postura nos gastos significou a perda de competitividade do time em todas as competições que tem disputado. Se 2019 será diferente, só o tempo poderá responder!

O Cruzeiro não disponibilizou seu orçamento. Ao assumir, a atual gestão prometeu um modelo de transparência moderno, mas, ao que tudo indica, o futuro do clube está muito ligado ao equacionamento de dívidas passadas, que têm gerado um alto custo com pagamento de juros exorbitantes. A idéia da diretoria, a partir de agora, é levantar um grande montante de dinheiro, ganhar tempo e começar a pagar o novo credor daqui a um ou dois anos. Pode ser a salvação do clube, que tem sofrido com diversas ações judiciais nos últimos meses. Pelo menos dentro de campo o Cruzeiro tem conseguido se manter competitivo!

Álvaro Vilaça é formado em Comunicação Social e Marketing, apresentador de TV, ex-narrador e ex-repórter esportivo da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, Diretor de Programação e Coordenador de Esportes da Rádio Eldorado e do Jornal Hoje Cidade. Também é o responsável pela coluna de Esportes do Jornal Notícia e é professor de Negociação, Compras e Marketing das Faculdades Promove de Sete Lagoas. Pós-Graduado em Administração e Marketing.

 




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