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Coluna/ Comércio Exterior / Balanço do Comércio Exterior de Sete Lagoas em 2015

Que ano desafiador para o Comércio Exterior e porque não dizer para cada um de nós. Números até podem ser usados para mensurar os bons ou os maus resultados, mas ninguém pode negar que a sensação experimentada por cada um não pode ser expressa por número algum.

Nunca se viu tanto, nos últimos anos, falar de crise. Olhe as principais manchetes que insistem em não nos deixar se esquecer dela. E agora o que nos chama atenção não é a necessidade de estendê-la um pouco mais, uma vez que todos experimentaram os efeitos da crise no decorrer deste ano. Os números já estão aí para os leigos ou para os especialistas.

Um aspecto importante do comércio exterior é o fato dele não se limitar apenas nas relações comerciais entre empresas de diferentes países. Fazer um balanço do comércio exterior em 2015, no entanto, exige estender essa compreensão também para todos os que operam neste tipo de comércio. Assim veremos o quanto estamos inseridos nele.

As empresas são o grande pilar do comércio exterior. Elas são também o termômetro da economia. Se elas estão bem, a economia estará em consequência disto. E para saber disso nem precisa ir muito longe, ainda mais quando se vive em uma região dominada por empresas que operam direta ou indiretamente no comércio exterior.

O segmento automobilístico, por exemplo, tem uma presença muito forte na região, não só pela concentração de empresas ao longo da cadeia logística, mas também pela expressiva mão de obra que ele absorve. Em termos globais, existe uma forte atuação das empresas tanto na exportação quanto na importação, representando as duas principais atividades do comércio exterior.

No decorrer deste ano foi um dos setores da economia que apresentou resultados bem abaixo de qualquer projeção pessimista. A estatística está aí para mostrar os números, embora ela não expressa o sentimento de quem perdeu o emprego, do empresário que viu o faturamento cair de forma assustadora, do comércio que deixou de vender ou ser forçado a fechar as portas e, sem dúvida, da incerteza construída para o próximo ano.

Para quem já teve um forte papel na economia da cidade devido a grande capacidade de absorver mão de obra menos qualificada, as siderúrgicas – mesmo que responsáveis pelo saldo positivo da balança comercial da cidade em diferentes períodos neste ano – lentamente dão sinais de recuperação e, consequentemente, têm chamado menos atenção para investimentos na região e na geração de empregos.

De fato, a economia da cidade não se limita apenas nos setores automobilístico e siderúrgico, embora seja visível a dependência do crescimento da cidade em virtude dos bons resultados desses setores.

Quem pensa que o comércio exterior ocorre tão somente na relação comercial entre empresas de diferentes países, talvez, nem imagine que pessoas também são responsáveis para que ele ocorra. Não diga que você nunca se arriscou em comprar um produto de outro país ou, caso tenha viajado para o exterior, tenha trago um ou outro produto.

Além das empresas e das pessoas físicas que operam com finalidade comercial (faremos um estudo separado deste tópico), pessoas comuns como eu e você também movimentam o comércio exterior. Quando você compra um produto de outro país pela Internet, automaticamente, você está fazendo comércio. Por se tratar de outro país, acrescenta-se o “exterior”. Até sem ter feito um curso ou alguma especialização, é possível conhecer um pouco da legislação e do que se precisa fazer. E quando o produto chega conforme o planejado é só esperar pela próxima compra.

Mesmo com a taxa cambial flutuando nas alturas e em consequência das políticas adotadas pelo governo neste ano de proteção à indústria nacional, sendo necessário frear um pouco o entusiasmo em adquirir produtos com preços bem inferiores ao praticado no Brasil. O brasileiro, em contrapartida, aprendeu com o comércio exterior a enxergar como a indústria brasileira sofre com a alta carga tributária e da grande perda de competitividade dos produtos nacionais frente ao estrangeiro.

A desaceleração na economia chinesa, por exemplo, reflete diretamente no Brasil / Foto Ilustrativa: cdlmanaus.wordpress.com A desaceleração na economia chinesa, por exemplo, reflete diretamente no Brasil / Foto Ilustrativa: cdlmanaus.wordpress.com

Outros atuantes do comércio exterior podem ser vistos em Bolsas de Valores. Para quem atua neste mercado negociando capitais (dinheiro, títulos, valores mobiliários, etc.) e outros serviços financeiros perceberam o quão é frágil o sistema. Como a desaceleração na economia chinesa, por exemplo, reflete diretamente no Brasil? Como quem investe em ações perdem e ganham tanto dinheiro como uma simples especulação no mercado?

De fato, a globalização tem aproximado fortemente as economias. Neste ano, em especial, aprendemos que tal proximidade tem também deixado mais sensíveis todos os agentes econômicos, desde um simples investidor até o próprio governo. Mesmo diante de tantas turbulências, a estrutura capitalista mostra claramente que enquanto uns perdem, outros ganham. Em outras palavras, foi um ano de perdas e de dúvidas, mas também de aprendizagem e de grandes oportunidades.

E bem certo que tenha percebido a não apresentação de nenhum dado estatístico. De forma proposital, houve essa preocupação de modo a mostrar que, mesmo sendo eles importantes para mensurar ou para quantificar qualquer resultado, em um dado momento eles serão apenas números e nada mais. Assim como o comércio exterior, estatisticamente, apresentou os bons ou os maus momentos da balança comercial da cidade neste ano. Fica-nos a certeza de iniciar um novo ano, estaticamente, mais esperançosos.



Franciney Carvalho é graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelas Faculdades Promove e pós-graduado em Logística pela UNA. Professor de Comércio Exterior nos cursos de Administração, Logística e Contabilidade no Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional – CEFAP.



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