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Franciney Carvalho

Coluna / Comércio Exterior / Os desafios do Comércio Exterior para 2018

O início de ano representa uma oportunidade para as empresas avaliarem se as projeções econômicas e as especulações do mercado vão de encontro com as metas traçadas por elas. Em
meio a declarações e realizações em 2017, uma frase dita pelo ministro da Indústria e Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, ainda resume os desafios do comércio exterior para 2018, devido à importância dessa atividade para a economia do país: “Tenho dito que a retomada do crescimento econômico do Brasil exige que olhemos para fora de nossas fronteiras”.

Foto ilustrativa: http://vemprafam.com.brFoto ilustrativa: http://vemprafam.com.br

Neste ponto, o comércio exterior continua aparecendo como uma das principais apostas do governo para manter o ritmo de crescimento econômico do país. Nada é por acaso. Quando se observa o saldo registrado da balança comercial brasileira, com um superávit de USD 67 bilhões, o maior já alcançado desde o início da série histórica, apenas reforça a necessidade das empresas brasileiras em buscar novos mercados além da fronteira.

Mesmo que as empresas brasileiras possam encontrar no comércio com outros países oportunidades de expansão e por melhorias contínuas, muito além daquelas necessárias para
construir um diferencial competitivo no mercado interno. Sabe-se, no entanto, que só será possível atingir o mesmo grau de exigência em outros mercados, quando existir uma preocupação amplamente compartilhada entre o governo brasileiro e as empresas.

No que tange ao governo, os desafios se apresentam pela necessidade de criar mecanismos e ações que possibilitem o aumento do intercâmbio de mercadorias e serviços das empresas
brasileiras com as empresas em outros países, das quais carecem de diversos produtos, em especial, com a marca Made in Brazil. Aliado com o fortalecimento e a concretização de novos
acordos comerciais, além de adotar internamente ações mais efetivas à desburocratização das operações ligadas ao comércio exterior. Por último e não menos importante, reduzir os entraves causados pela ineficiência da infraestrutura logística em algumas regiões do país.

Por outro lado, por parte das empresas brasileiras com grande potencial para atuarem no mercado externo, os desafios ultrapassam as questões estruturais ou de logística; requer uma
mudança cultural e de posicionamento estratégico do produto brasileiro frente às particularidades do país no qual se pretende atuar.

Embora seja bastante comum associar a inserção das empresas no comércio internacional mais em virtude de uma eventual necessidade decorrente de uma crise ou de uma dificuldade
financeira ao invés de associar a uma oportunidade estrategicamente construída. Partindo de uma perspectiva do mercado, a possibilidade de atuar em outros países traz, em contrapartida,
uma imprevisibilidade ainda maior quanto à aceitação do produto neste mercado. Seja por necessidade ou por oportunidade, a permanência da empresa em outros mercados está diretamente ligada às ações e políticas dos governos de ambos os países.

Os desafios tendem a ser maiores se governo e empresas não caminharem juntos a fim de fortalecer a presença dos produtos brasileiros em outros mercados. Não basta, portanto, criar
programas como o Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), cujo objetivo é o de aumentar o número das empresas que exportam, oferecendo desde a capacitação dessas empresas, diagnóstico de produtos e serviços com potencial para exportar, até consultoria de inteligência comercial... Ou criar o Portal Único de Comércio Exterior, cuja proposta é a de reformular os
processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro por meio da integração dos intervenientes e operadores do comércio exterior em um único sistema. Ambas as ações já estão em operação.

Se tais ações e tantos outros incentivos que o comércio exterior oferece não ficarem bem sinalizados, especialmente, para as pequenas empresas e empreendedores torna-se mais
desafiador estimulá-los a internacionalizarem suas operações de modo a enxergarem no comércio exterior uma oportunidade viável de expandir a participação no mercado e, por conseguinte, contribuírem para o crescimento econômico do país.

Diante o exposto, o comércio internacional apenas oferecerá inúmeras possibilidades às empresas que o operam ou para aquelas que pretendem fazer dele à medida que os governos
dos países atuarem mais como facilitadores para as trocas comerciais, respeitando sempre o princípio da livre-concorrência. Em paralelo, para as empresas, os desafios serão maiores ou menores conforme o posicionamento delas e a criatividade para encará-los.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BALANÇA COMERCIAL TEM SUPERAVIT 67 BILHOES. G1. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/balanca-comercial-tem-superavit-us-67-bilhoes-em-2017-o-maior-em-29-anos.ghtml>. Acesso em 02 Jan. 2018
COMERCIO EXTERIOR PNCE. MDIC. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/pnce>. Acesso em 02 Jan. 2018
PORTAL ÚNICO DO COMERCIO EXTERIOR. MDIC. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/portal-unico/847-portal-unico-de-comercio-exterior>. Acesso em 02 Jan.2018

Franciney Carvalho é graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelas Faculdades Promove e pós-graduado em Logística pela UNA. Professor de Comércio Exterior nos cursos de Administração, Logística e Contabilidade no Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional – CEFAP.